A Anthropic mudou duas vezes a plataforma Claude em setembro, e as duas mudanças interessam diretamente a quem mantém integrações em produção. A primeira mexe no jeito de controlar o tamanho do histórico enviado à Messages API.
A segunda amplia o alcance da Compliance API para sessões que rodam na máquina do usuário. Abaixo, o que cada release traz e o que você precisa ajustar no código.
14 de setembro
O destaque é a compactação sob demanda na Messages API, disponível em beta com o cabeçalho compact-2026-09-04. Em vez de deixar a plataforma decidir quando resumir a conversa, você envia o parâmetro de nível superior compaction e a API devolve um bloco compaction assinado, contendo o resumo das mensagens que você mandou.
Nas requisições seguintes, esse bloco vai primeiro, no lugar das mensagens originais que ele substitui.
Na prática, isso muda o desenho de agentes de conversa longa. Antes, o padrão comum era truncar mensagens antigas ou manter um resumo próprio no seu banco, com o risco de perder contexto relevante.
Agora o resumo é gerado pela própria API, assinado, e você escolhe o momento exato de compactar. Como a chamada pode rodar em segundo plano, dá para disparar a compactação sem travar a resposta ao usuário final.
A documentação está em Compact on demand with the compaction parameter.
Há um detalhe que vale atenção para quem usa modelos com raciocínio preservado. É possível manter os turnos recentes palavra por palavra depois do resumo, e nesses turnos mantidos o thinking pode continuar válido.
Isso reduz o custo de reconstruir contexto em fluxos que dependem de raciocínio encadeado, porque você não precisa reenviar tudo nem descartar a cadeia de pensamento já produzida.
Do lado operacional, o parâmetro exige disciplina na montagem do payload. Você precisa guardar o bloco assinado devolvido pela API e reenviá-lo na posição correta, antes das mensagens novas.
Quem já trabalha com cache de prompt vai reconhecer o padrão de gerenciar estado entre chamadas, mas aqui o estado é um artefato que a Anthropic assina, o que ajuda a validar que o resumo não foi adulterado no caminho. Como está em beta, vale testar em ambiente separado antes de trocar o fluxo de produção, e conferir se o modelo que você usa aceita o cabeçalho.
18 de setembro
A Compliance API passou a devolver, nos endpoints de sessão local, também as transcrições de sessões do Claude in Chrome. O valor de product_surface para esse caso é claude_in_chrome, e o recurso está em beta para organizações Claude Enterprise.
A autenticação segue com a Compliance Access Key que a organização já usa, junto do escopo read:compliance_user_data.
O efeito prático é que a supervisão de uso deixa de cobrir apenas o que acontece dentro da interface principal e passa a incluir atividade registrada no navegador. Para times de segurança e conformidade que precisam auditar como funcionários usam assistentes de IA, isso fecha uma lacuna que antes exigia instrumentação própria ou ficava sem resposta.
Os detalhes de recuperação estão em Sessions on users' machines, e a visão geral da API fica em Compliance API.
Quem desenvolve integrações de compliance deve verificar se o pipeline atual já trata o campo product_surface como valor variável. Se o código assume apenas superfícies conhecidas, um valor novo como claude_in_chrome pode cair em ramo de erro ou ser silenciosamente ignorado.
Vale também revisar retenção e armazenamento, porque transcrições de navegador tendem a ter volume e sensibilidade diferentes das sessões de chat tradicionais. Como o recurso é beta e restrito a Claude Enterprise, o acesso depende de a organização já ter a Compliance Access Key configurada e o escopo concedido.
Juntando as duas datas, setembro foi um mês de ajustes finos em duas frentes distintas: controle de contexto para quem constrói agentes e visibilidade de uso para quem administra organizações. Nenhuma das mudanças quebra contrato existente de forma obrigatória, já que ambas estão em beta e exigem adesão explícita.
O trabalho real está em adaptar o código para tirar proveito delas sem introduzir regressão nos fluxos que já funcionam.




