O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na manhã de domingo, 4 de outubro de 2026, a criação da Super Intelligence Force. A força-tarefa do governo federal vai coordenar as ações do país na área de inteligência artificial.
O anúncio foi feito em um post no Truth Social, a rede social do próprio presidente. Confirma uma promessa que ele havia feito semanas antes, em setembro.
Na publicação, Trump afirmou que a força-tarefa será liderada pelo diretor de inteligência nacional, Jay Clayton, e por outros integrantes de sua administração. Segundo o presidente, o grupo tem a tarefa de "coordenar o esforço do governo federal para garantir que os Estados Unidos continuem a liderar o mundo em superinteligência".
Essa área, na avaliação dele, é "maior que a Revolução Industrial e que a internet" e vai "proteger os interesses e melhorar a vida de todos os americanos".
Como a força-tarefa será organizada
De acordo com o Wall Street Journal, Clayton vai presidir a Super Intelligence Force. Isso o coloca na posição de czar de IA do governo, cargo que Trump havia prometido criar em setembro.
Como vice-presidentes, atuarão o presidente da Comissão Federal de Comércio (FTC), Andrew Ferguson; o subsecretário de Guerra para Pesquisa e Engenharia, Emil Michael; e o diretor do Office of Personnel Management, Scott Kupor.
O prazo estipulado é curto: o grupo terá 120 dias para produzir um relatório sobre os riscos e as oportunidades apresentados pela inteligência artificial. O estatuto da força-tarefa, segundo o jornal americano, determina que ela deve "desenvolver planos para responder a ameaças habilitadas por SI à nossa sociedade, ao mesmo tempo em que evita a regulação excessiva e a captura regulatória que sufocariam a inovação e a competição".
Do debate sobre segurança ao rebranding
A criação do grupo é a resposta mais recente de Trump ao debate sobre segurança em IA. O presidente já havia classificado o tema como um "embuste" criado pelos "Dumocrats da Esquerda Radical".
Em setembro, mesmo descartando o debate, ele disse que formaria uma AI Force e nomearia um czar de IA. Fez uma ressalva: "apenas indivíduos de alto QI podem se candidatar", conforme noticiou o TechCrunch.
O presidente assinou uma ordem executiva para rebatizar a inteligência artificial como "superinteligência". O termo acabou adotado, com alguns tropeços, pelos executivos de tecnologia reunidos na Casa Branca nesta semana para assinar um compromisso de segurança não vinculante.
O documento ficou marcado por um erro de digitação na grafia do nome dos Estados Unidos, como mostrou o TechCrunch. O nome da nova força-tarefa segue a nova marca defendida pelo governo.
O argumento de clayton: o maior risco é não ser o primeiro
Jay Clayton já havia sinalizado publicamente sua posição sobre o tema. Em declarações anteriores, ele disse que seria irresponsável os Estados Unidos "recuarem" na inteligência artificial enquanto países como a China avançam.
O argumento foi repetido ao Wall Street Journal. Para o novo czar de IA, um dos maiores riscos é justamente "não ser o primeiro".
A fala resume a lógica que deve orientar o relatório da força-tarefa: menos ênfase em freios regulatórios e mais atenção à velocidade de adoção e à manutenção da liderança tecnológica americana. É uma abordagem que dialoga com a retórica presidencial, que trata a segurança em IA como obstáculo ao avanço do país.
Por que isso importa
A Super Intelligence Force nasce num momento de tensão entre dois movimentos simultâneos do governo americano. De um lado, a Casa Branca promove um compromisso público de segurança com líderes do setor de tecnologia.
De outro, cria uma estrutura federal cujo estatuto fala explicitamente em evitar "regulação excessiva" e "captura regulatória", expressões que sinalizam cautela com novas regras.
O desenho institucional também chama atenção: a força-tarefa é presidida pelo diretor de inteligência nacional e tem entre seus vice-presidentes o chefe da FTC, órgão responsável por fiscalizar concorrência e práticas comerciais nos Estados Unidos. Isso aproxima o debate sobre IA de temas de segurança nacional e de política de competição, e não apenas de inovação.
Com prazo de 120 dias, o relatório deve estabelecer o tom da política americana de IA para os próximos meses. O que ainda não está claro, a partir do material disponível, é como o grupo pretende equilibrar as duas missões que recebeu: responder a ameaças ligadas à superinteligência e, ao mesmo tempo, evitar que novas regras travem o setor.
Fontes e links
- TechCrunch
- Post de Donald Trump no Truth Social
- Reportagem do Wall Street Journal sobre a força-tarefa
- Comentários de Jay Clayton ao Politico







