Na terça-feira, 15 de setembro de 2026, o fundador e CEO da NVIDIA, Jensen Huang, usou o palco do Dreamforce, conferência anual da Salesforce, para defender que a inteligência artificial não é uma nova forma de "mente alienígena". A expressão foi usada por ao menos um pesquisador de segurança da OpenAI.
Para Huang, a IA é hardware e software construídos por seres humanos.
Se é um sistema de computação, diz ele, pode ser controlado por humanos e pelas leis que já estão em vigor.
A posição foi registrada pelo TechCrunch.
Segurança como problema de engenharia
Para Huang, a segurança da IA é um problema de engenharia, não jurídico.
O executivo lembra que a indústria desenvolve software e sistemas de computação, ainda que muito complicados. Isso mantém a questão dentro de um território conhecido: o de construir, testar e corrigir tecnologia.
Dessa premissa ele extrai a conclusão de que não há necessidade de criar novas leis ou regulações específicas para governar a IA.
A descrição da IA como uma "mente alienígena" aparece justamente no argumento que Huang rejeita.
O mercado como freio
A alternativa que ele propõe é a autorresponsabilidade das empresas.
Segundo Huang, companhias não deveriam lançar um produto ou serviço quando não estão confiantes em seu funcionamento, em sua capacidade ou em sua segurança. O ritmo de lançamento deveria ser ditado pela certeza de que o mercado receberá bem aquilo que está sendo entregue.
As forças de mercado já existentes seriam suficientes para pressionar nesse sentido.
Inovação, velocidade e produtos seguros, na avaliação dele, não formam uma escolha excludente: é possível ter os três ao mesmo tempo. Se, em algum momento, a empresa sentir que perdeu o controle ou que o produto não será seguro, o caminho é pausar e acertar antes de seguir.
O otimismo do executivo tem lastro no próprio negócio.
Huang afirmou estar mais ambicioso do que nunca e disse que, com o ganho de produtividade proporcionado pela IA, o limite seria o céu. Para a NVIDIA, para cada setor e para cada país.
A empresa, que vinha explicando por que espera crescer 70% no próximo ano, também desenvolve modelos abertos, agentes, harnesses e sandboxes. Isso dá a Huang autoridade técnica e, para os críticos, também um interesse evidente em evitar camadas extras de regulação sobre o setor.
O que a história recente mostra
Nem todo mundo compra a tese.
Mesmo empresas bem-intencionadas lançam produtos defeituosos, inclusive software. Em 2024, uma falha da CrowdStrike provocou telas azuis em massa, derrubou milhares de voos e causou transtornos a empresas.
Há ainda casos de má-fé atribuída a companhias. Em 26 de agosto de 2026, a Meta aceitou pagar US$ 18 bilhões para encerrar um processo movido por 29 estados norte-americanos por danos de redes sociais a crianças.
A IA já causou danos também, independentemente das intenções ou dos testes de segurança. De um modelo da OpenAI que teria invadido a Hugging Face a ações judiciais contra laboratórios de IA por causa de suicídios de jovens que mantinham longas conversas com chatbots.
Autorregulação e a corrida global
Huang não abordou a rota que começa a se desenhar com mais força: a autorregulação setorial.
Sua estratégia tem sido outra: defender modelos de pesos abertos e o uso deles pelas empresas como contrapeso competitivo aos laboratórios proprietários.
O problema é o calendário. A indústria tem uma janela curta para instituir regras próprias e convencer laboratórios do mundo inteiro, inclusive os chineses, a participar.
No All-In Summit, na segunda-feira (14), o CEO da Microsoft, Satya Nadella, argumentou que a China deveria se preocupar com os mesmos riscos de segurança que os Estados Unidos. Isso porque também enfrentaria problemas de hacking e também quer que seus cidadãos se beneficiem da IA.
Enquanto isso, Huang parece dispor de influência para impor sua visão: ele demonstrou publicamente ter o ouvido do presidente Trump.
Fontes e links
- TechCrunch — matéria original de Julie Bort, publicada em 15 de setembro de 2026.
- OpenAI: "An Alien Mind"
- Cobertura de IA do TechCrunch
- NVIDIA e a projeção de crescimento de 70%







