O Google publicou em 15 de setembro de 2026 uma nova camada de visualizações interativas para o AI & Economy ATLAS, projeto que mede como a inteligência artificial vem sendo usada no trabalho em diferentes países e ocupações. O anúncio é assinado pela liderança de AI & Economy do escritório do economista-chefe da empresa e pela área de StratOps e projetos especiais de Tecnologia e Sociedade.
Junto com o painel de acesso aberto, a companhia apresentou uma pesquisa inédita sobre como cientistas estão incorporando IA ao próprio trabalho, produzida em conjunto pelo Google, pelo Google DeepMind e pelo MIT FutureTech.
O ATLAS quer transformar uma massa de dados dispersos em algo consultável. Segundo o Google, o projeto reúne milhões de pontos de dados globais.
A nova experiência permite examinar com mais granularidade a adoção de IA por ocupações variadas, de eletricistas a gerentes de compras. Também mostra como as pessoas usam a tecnologia em casa e qual é o ritmo de adoção em cada país.
Um retrato do uso da IA por profissão
Os dados do ATLAS mostram padrões regionais bem distintos. Nos países da OCDE, as ocupações ligadas à computação e à matemática lideram o uso de IA, seguidas pelas de negócios e finanças.
Fora da OCDE, o topo é ocupado por funções de apoio administrativo, por artes, design, entretenimento, esportes e mídia, e por instrução educacional e biblioteca.
Dois casos chamam atenção. Na Índia, as ocupações de artes, design e mídia respondem por 19% do uso profissional de IA, 1,6 vez a média global.
Nos Estados Unidos, as carreiras de computação e matemática representam 30% desse uso, o dobro da parcela observada no resto do mundo.
A relação entre renda e adoção também rende achados interessantes. Em geral, quanto maior o nível de renda de um país, maior a adoção de IA.
Brasil e Emirados Árabes Unidos aparecem como exceções positivas, com taxas superiores ao que o PIB per capita de cada um permitiria prever.
O levantamento ainda detalha o uso voltado a tarefas manuais, como diagnóstico de equipamentos em tempo real e solução de problemas. No Brasil e na Alemanha, 7% do uso profissional de IA se destina a essas atividades, 1,4 vez a média mundial, contra 4% no Japão.
Ciência: LLMs e modelos especializados lado a lado
A pesquisa baseada no ATLAS analisou 2.600 modelos de IA especializados e ouviu mais de 600 cientistas dos Estados Unidos e do Reino Unido. O trabalho organiza tudo a partir de uma taxonomia do MIT FutureTech que mapeia o que os cientistas efetivamente fazem.
O resultado indica que a categoria científica usa IA mais do que muitas outras ocupações. Quase metade dos entrevistados recorre a alguma forma de IA todos os dias.
O estudo mostra que LLMs e modelos especializados não competem, mas se reforçam mutuamente, sendo acionados para tarefas diferentes. Modelos de linguagem como o Gemini aparecem espalhados por diversas áreas científicas e categorias de tarefa.
Os modelos especializados concentram-se relativamente mais em saúde e ciências da vida e em tarefas de predição, geração e simulação de dados específicos de domínio.
Ganho de tempo, mas com gargalos
Os cientistas relatam economizar pouco menos de sete horas por semana com o apoio da IA, tempo que sobra para se dedicar à pesquisa. Esse ganho, porém, não se converte automaticamente em novas descobertas.
A pesquisa encontrou evidências de tempo relevante gasto na validação das respostas geradas pela IA. Também identificou um acúmulo crescente de hipóteses ainda não testadas e gargalos em etapas como experimentação física e validação clínica.
Nesse aspecto, a ciência se comporta como a maioria das ocupações. A IA oferece potencial real de produtividade, mas o impacto em escala sobre resultados e descobertas depende de redesenhar processos e fluxos de trabalho para acompanhar capacidades que evoluem rapidamente.
Por que isso importa
Para o Brasil, o recorte do ATLAS é especialmente relevante. O país não apenas aparece entre os que adotam IA acima do esperado para seu nível de renda, como figura ao lado da Alemanha no topo do uso voltado a tarefas manuais e diagnósticos em tempo real.
Isso é um sinal de que a tecnologia já chegou ao chão de fábrica e à operação de equipamentos, não só ao escritório.
O Google afirma que o ATLAS é um projeto de pesquisa de longo prazo. A empresa diz que pretende trabalhar com parceiros acadêmicos para identificar novas frentes de investigação e produzir leituras mais precisas sobre como a IA transforma a economia.
Fontes e links
- Google AI
- Pesquisa sobre IA na ciência (PDF)
- Taxonomia do MIT FutureTech sobre o trabalho científico
- Experiência interativa do AI & Economy ATLAS







