Lightspeed mira US$ 250 mi para novo fundo na Índia focado em IA

Lightspeed mira US$ 250 mi para novo fundo na Índia focado em IA

A Lightspeed está mirando US$ 250 milhões para um novo fundo dedicado à Índia, com foco em startups de inteligência artificial em estágio inicial. A Meta está em uma carta enviada a investidores na quinta-feira (24) e vista pelo TechCrunch.

Segundo o documento, 80% do valor-alvo já tem compromisso firmado.

Batizado Lightspeed India Partners V, o veículo deve começar a investir em até dois meses. A gestora declinou de comentar o assunto.

Um fundo menor e um ciclo mais curto

O novo veículo tem metade do tamanho do fundo anterior de US$ 500 milhões, levantado em 2022 para Índia e Sudeste Asiático. A redução vem acompanhada de um período de investimento mais curto, de cerca de dois anos e meio, conforme a carta aos cotistas.

Até que o Lightspeed India Partners V entre em operação, a firma continuará fazendo seus últimos aportes pelo fundo vigente.

Segundo a correspondência, o tamanho menor foi calibrado para acompanhar o ritmo atual de investimento da Lightspeed na região. A gestora argumentou a investidores que um veículo mais enxuto permite focar em cada negócio individualmente, em vez de priorizar o tamanho do fundo.

Também viabiliza uma captação seguinte mais cedo.

Divulgação regulatória e expectativa do mercado

O fundo apareceu pela primeira vez em um registro na SEC, o regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, no fim de abril. O documento não especificava o valor-alvo.

A imprensa indiana havia noticiado antes que a Lightspeed buscava algo entre US$ 300 milhões e US$ 350 milhões. A faixa está acima do alvo agora confirmado na carta.

A tese: IA valendo mais que a internet

O novo fundo marca um deslocamento mais nítido da estratégia de estágio inicial da Lightspeed na região para a inteligência artificial. A tese descrita aos investidores projeta que a IA criará mais valor na Índia do que a internet criou.

O fundo vai buscar companhias de IA tanto na Índia quanto no Sudeste Asiático.

O país ainda não produziu um desenvolvedor de modelos de fronteira com relevância global. Também atraiu bem menos investimento em IA do que Estados Unidos e China, segundo a reportagem original.

Investidores enxergam espaço sobretudo na camada de aplicação. Contam com o grande contingente de desenvolvedores de software indianos e com décadas de experiência do país como hub de serviços de tecnologia.

A Lightspeed já tem posição nesse tabuleiro. Investiu na Sarvam AI, uma das principais desenvolvedoras indianas de grandes modelos de linguagem e escolhida pelo governo do país para ajudar a construir modelos soberanos de IA.

Globalmente, a firma investiu em nomes como Anthropic, xAI e Databricks.

Alinhamento global e concorrência

A partir deste fundo, a Lightspeed passa a alinhar seus fundos indianos ao mesmo ciclo de captação dos fundos globais. É algo inédito para uma operação regional criada há quase duas décadas.

O movimento segue caminho parecido com o da rival Accel. Em agosto, a Accel fechou um fundo de US$ 550 milhões para a Índia junto a novos veículos para Estados Unidos e Europa e a um fundo global de growth.

O esforço coordenado soma US$ 3,5 bilhões. Foi a primeira vez que a Accel levantou os quatro fundos simultaneamente.

Os US$ 250 milhões indianos são uma fração do capital disponível na plataforma global da Lightspeed, que administra mais de US$ 65 bilhões em ativos. Em dezembro do ano passado, a firma captou US$ 9 bilhões em vários fundos novos, o maior volume de sua história, incluindo um fundo de estágio inicial de US$ 980 milhões.

Os fundos dedicados à Índia e ao Sudeste Asiático já aplicaram cerca de US$ 900 milhões. Os fundos globais colocaram outros US$ 1,6 bilhão em empresas do portfólio regional, segundo a carta enviada aos investidores.

Fontes e links

Matéria publicada originalmente em TechCrunch

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