A OpenAI deve usar o DevDay 2026, marcado para a próxima terça-feira, para tentar retomar a liderança em uma das categorias mais disputadas da inteligência artificial: os agentes de consumo que rodam continuamente, 24 horas por dia. Em reportagem publicada em 28 de setembro de 2026, o The Verge relata que crescem os rumores de que a companhia vai apresentar seu próprio agente, batizado de Aeon, como resposta ao Muse, da Meta, ao Grok Bot, da SpaceX, ao OpenClaw e a uma lista cada vez maior de concorrentes.
Uma corrida que a própria OpenAI ajudou a criar
A companhia popularizou o chatbot generativo moderno. Ficou atrás justamente no segmento que ajudou a definir.
A OpenAI demonstrou recursos de API agêntica no DevDay de 2024 e lançou versões iniciais de agentes voltados ao consumidor, com foco em uso do computador e pesquisa, em meados de 2025.
Foi só no fim do ano passado, porém, com o OpenClaw, que os agentes deixaram de ser prova de conceito e passaram a funcionar de verdade. Desde então, a corrida acelerou.
O progresso visível da OpenAI na área ficou para trás.
Hoje, o principal concorrente da OpenAI em IA agêntica é provavelmente a Meta. Desde o lançamento, no início deste mês, o Muse lidera rankings da App Store e soma 600 mil usuários ativos diários nos Estados Unidos, segundo dados da Apptopia.
As primeiras análises classificam o produto como útil, mas levemente assustador. Outro nome em ascensão é o Instinct, cujo agente homônimo ganhou tração pela facilidade de uso, inclusive porque o usuário pode conversar com ele por iMessage e por vários outros aplicativos de mensagem.
Há ainda o Gemini Spark, do Google, também um agente de consumo em execução contínua, com mais de 30 parceiros de serviços externos, entre eles Dropbox, Uber e Spotify.
O que aeon precisaria acertar
Para superar a concorrência, o Aeon teria de reunir os melhores atributos de plataformas diferentes. O sistema ideal, segundo o The Verge, seria tão útil quanto o código aberto do OpenClaw, tão barato e fácil de configurar quanto o Muse, da Meta, e tão simples de conversar quanto o Instinct.
Ao mesmo tempo, precisaria resolver os riscos de segurança que assombram os agentes desde a ascensão do OpenClaw e que continuaram com o Muse.
As capacidades em jogo não são triviais. Agentes desse tipo já preenchem formulários para consultas médicas, cancelam assinaturas, organizam viagens em grupo, reservam atividades, marcam horários em departamentos de trânsito e pagam contas.
São expectativas que as empresas de tecnologia alimentaram por anos e que só agora começam a se concretizar em produtos de uso cotidiano.
Segurança e a aposta no criador do openclaw
A autonomia maior vem acompanhada de riscos. Pelo menos uma vulnerabilidade conhecida, já corrigida, permitiu que atacantes assumissem o controle de contas.
Usuários também relataram que o Muse divulgou um endereço residencial sem permissão e leu mensagens privadas, embora relatos individuais sejam difíceis de verificar. É esse o terreno movediço que a OpenAI precisa pisar com cuidado caso queira convencer o público a entregar tarefas sensíveis a um agente sempre ligado.
Sobre o Aeon, sabe-se pouco. O único dado concreto é que a OpenAI emprega Peter Steinberger, criador do OpenClaw, que muito provavelmente dará sua contribuição ao projeto.
A companhia também elevou as expectativas para o DevDay ao promover o GPT-6 Astra como o momento em que a inteligência artificial geral chegaria. É um discurso ambicioso que, no caso dos agentes, ainda precisa ser demonstrado na prática.
O mercado de assistentes permanentes deixou de ser promessa de laboratório para se tornar arena comercial, com usuários diários, receita e concorrência aberta. Para a OpenAI, o DevDay 2026 é menos sobre lançar mais um produto e mais sobre provar que ainda consegue ditar o ritmo de uma categoria que ela mesma inaugurou.
Fontes e links
- The Verge
- OpenAI demonstra recursos agênticos no DevDay 2024
- Primeiras análises do Muse, da Meta
- Vulnerabilidade corrigida no Muse







