NVIDIA e Microsoft levam agentes de IA ao Windows com RTX Spark

NVIDIA e Microsoft levam agentes de IA ao Windows com RTX Spark

Em um evento da Microsoft realizado nesta quarta-feira no Dogpatch Studios, em San Francisco, o fundador e CEO da NVIDIA, Jensen Huang, e o CEO da Microsoft, Satya Nadella, detalharam como as duas companhias estão projetando em conjunto hardware e software para que agentes de IA rodem em PCs com Windows. A conversa, mediada por Sriram Krishnan, ex-assessor sênior de política de IA da Casa Branca, serviu de palco para anúncios que vão de uma camada de segurança embutida no próprio sistema operacional até notebooks capazes de executar modelos que hoje dependem de infraestrutura de nuvem.

Huang traçou a trajetória da NVIDIA apoiada no Windows ao longo de várias décadas e afirmou que a empresa nasceu por causa do sistema, lembrando que, sem ele, não existiria a linha GeForce. Nadella creditou ao executivo a consistência de uma visão de longo prazo, descrita por ele como uma tendência secular, e não como uma aposta passageira.

Para Huang, o computador pessoal segue sendo a ferramenta definitiva de uma geração e, na era dos agentes, passa a acumular a função de assistente pessoal do usuário.

Agentes sob controle do sistema operacional

A Microsoft colocou em disponibilidade geral o Microsoft Execution Containers (MXC), infraestrutura em nível de sistema operacional que permite a agentes rodar de forma segura e persistente em segundo plano, sob controle do próprio Windows. Pavan Davuluri, vice-presidente executivo de Windows e Devices da Microsoft, explicou que as primitivas estão sendo construídas dentro do sistema para que agentes possam ser protegidos, observados e governados, combinando MXC, Microsoft Security e Agent 365.

Nadella reforçou que o desktop precisava se tornar o ambiente mais seguro para a execução de agentes. Huang comparou o momento ao papel que Windows e DirectX tiveram na forma como aplicativos passaram a ser construídos, dizendo que o MXC deve cumprir função semelhante para o desenvolvimento e a implantação de agentes.

RTX spark coloca a pilha de IA da NVIDIA no laptop

O RTX Spark é a aposta de hardware apresentada no evento: ele leva a pilha completa de IA da NVIDIA para notebooks e desktops compactos, sendo que as pré-vendas de laptops começam hoje e a disponibilidade está marcada para 16 de outubro, enquanto os desktops compactos chegam às lojas em novembro. O Surface Laptop Ultra foi construído em torno do chip, com até 128 GB de memória unificada e até um petaflop de capacidade de computação de IA — configuração que, segundo a Microsoft, permite rodar modelos que simplesmente não caberiam em uma máquina tradicional.

Sistemas virão de Acer, ASUS, Dell, HP, Lenovo, Microsoft, MSI e Gigabyte, em formatos que vão de notebooks finos a desktops compactos pensados para agentes sempre ativos.

Tecnicamente, o RTX Spark combina uma GPU NVIDIA Blackwell RTX com até 6.144 núcleos a uma CPU NVIDIA Grace de até 20 núcleos, conectados a 600 GB/s. Com um petaflop de desempenho FP4 e até 128 GB de memória unificada, o conjunto consegue executar localmente modelos como o Qwen 3.8 Flash Next, um modelo de 125 bilhões de parâmetros com 51 bilhões de n-gram que, segundo o material, iguala a inteligência de muitos modelos de nuvem, sem medição de uso e sem enviar dados para fora do PC.

A plataforma CUDA completa está presente, permitindo migrar modelos, ferramentas e fluxos de trabalho do RTX Spark até o DGX Station sem reescrever código. Criadores ganham Tensor Cores de quinta geração com suporte a NVFP4, codificação e decodificação de vídeo AV1 e 4:2:2 aceleradas por hardware, DLSS e ray tracing RTX; jogadores podem rodar títulos AAA em 1440p acima de 100 quadros por segundo com DLSS 5, Reflex e G-SYNC.

A versão desktop compacta usa o mesmo superchip em um chassi pequeno projetado para operação 24 horas por dia, mantendo agentes rodando continuamente.

DGX station for windows leva computação de fronteira à mesa

O evento também apresentou em prévia o NVIDIA DGX Station for Windows, primeiro supercomputador de IA de mesa a trazer infraestrutura da classe GB300 Grace Blackwell diretamente para o ecossistema Windows. Davuluri afirmou que isso destrava a capacidade de rodar modelos de fronteira localmente, com recursos que antes exigiam o aluguel de um cluster.

Até então, o DGX Station rodava apenas Linux, o que obrigava desenvolvedores corporativos a manter dois ambientes separados: Linux para cargas pesadas de IA e Windows para as ferramentas de produtividade e os fluxos de trabalho do dia a dia. O novo equipamento usa o superchip GB300 Grace Blackwell Ultra Desktop, com 748 GB de memória coerente e até 20 petaFLOPS de computação de IA em FP4, volume suficiente para operar modelos de escala de um trilhão de parâmetros localmente.

A relevância desse movimento é grande porque a vasta maioria das empresas da Fortune 500 é padronizada em Windows, e essa lacuna vinha custando tempo e recursos a quem desenvolve IA.

Por que isso importa

O anúncio sinaliza uma mudança de eixo: em vez de tratar o PC como terminal de acesso a serviços na nuvem, NVIDIA e Microsoft posicionam a máquina local como plataforma de execução de agentes. Isso aparece em três frentes complementares.

Na segurança, o MXC tenta resolver o problema de governança de agentes que rodam sozinhos por longos períodos, uma condição que a própria Nadella descreveu como exigência para que o desktop seja confiável. No hardware, o RTX Spark leva memória unificada e desempenho em FP4 a formatos portáteis, o que viabiliza modelos de grande porte sem tráfego de dados para fora do dispositivo.

No mundo corporativo, a chegada do DGX Station ao Windows elimina a divisão entre o ambiente de desenvolvimento de IA e o ambiente de trabalho, algo que afetava diretamente equipes de pesquisa e empresas nativas de IA. O evento, realizado em San Francisco, reuniu ainda a demonstração das atualizações do Windows desenhadas para a era agêntica, com o sistema operacional deixando de ser apenas hospedeiro de aplicativos para se tornar também gestor de agentes.

Fontes e links

Matéria publicada originalmente em NVIDIA

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