A Floqer, startup fundada em 2024, apresentou nesta quarta-feira (14 de outubro) sua plataforma de conhecimento autônomo de clientes no Startup Battlefield, palco de pitches do TechCrunch Disrupt 2026. A empresa propõe usar agentes de IA para pesquisar, organizar e manter atualizadas as informações que times de vendas e de marketing B2B usam para entender seus clientes, um trabalho que, em boa parte das operações, ainda é feito manualmente.
O que a plataforma faz
Na prática, o usuário descreve o perfil de empresa ou de profissional que procura, e os agentes varrem diferentes fontes para montar listas de empresas e contatos relevantes. Segundo a companhia, o sistema enriquece contas, ou seja, acrescenta detalhes sobre as empresas-alvo, com apoio de mais de 100 fontes externas de dados.
Quando precisa de um e-mail ou telefone verificado, a Floqer usa uma abordagem em cascata: consulta um provedor de dados após o outro até encontrar uma informação utilizável.
A plataforma também acompanha a web de forma contínua. Mudanças de emprego, promoções ou uma nova rodada de investimento captada pela empresa do prospect podem ser refletidas nos registros do cliente.
A Floqer descreve a tecnologia como uma frota de agentes de IA que pesquisa empresas, pessoas e interações sem parar, de modo que as equipes não precisem fazer esse trabalho manualmente. De acordo com a empresa, clientes relataram redução de até 70% no tempo dedicado à prospecção.
De extensão de navegador a banco de dados
O produto atual nasceu de um pivô. O primeiro lançamento da Floqer foi uma extensão de Chrome chamada Super Chat, que permitia entrar com a própria conta do ChatGPT para extrair informações e fazer anotações.
Os fundadores notaram que empresas usavam a ferramenta para limpar dados de sistemas de CRM e, nas conversas, ouviram que essa limpeza era um trabalho bastante manual, sem processos consolidados. Esse foi o gatilho para reconstruir a empresa em torno de um banco de dados de conhecimento de clientes.
Os criadores são Shivam Mahajan, CEO, e Zaaheda Islam, que se conheceram na universidade. Antes de fundar a Floqer, Mahajan atuou como engenheiro de software na Kyndryl, e Islam foi cientista de dados sênior na Axis Capital.
Números, investidores e código aberto
A Floqer afirma ter ultrapassado US$ 1,2 milhão em receita recorrente anual (ARR) e diz que sua receita total cresceu cerca de dez vezes no último ano. A startup levantou US$ 2 milhões em rodada pre-seed, com participação do F7 Fund, da Perplexity, da N49P, da Tidal Venture Partners e de Denis Yarats, cofundador da Perplexity.
A empresa tem hoje oito funcionários e mais de mil clientes, entre eles Perplexity, Wise e AngelList.
A companhia pretende abrir o código-fonte da tecnologia que sustenta seu banco de dados autônomo, com lançamento previsto para o início de 2027 e condicionado a revisões de segurança. O CEO Shivam Mahajan disse que o banco de dados é oferecido a um público limitado, principalmente por causa da capacidade de atendimento do time, e que a abertura deve corrigir essa limitação.
Parte do interesse vem dos próprios clientes: algumas empresas preferem hospedar os dados em vez de mantê-los em uma plataforma proprietária de fornecedor, enquanto outras querem modificar a tecnologia ou construir soluções sobre ela. Segundo Mahajan, a missão é capacitar cada equipe a montar sua fonte central de crescimento.
Por que isso importa
Prospecção é um dos gargalos mais conhecidos de quem trabalha com vendas e operações de receita. Identificar empresas que se encaixam em um perfil exige horas de busca em Google, LinkedIn, sites corporativos e quadros de vagas, além de localizar as pessoas certas e seus contatos.
Automatizar essa etapa com agentes é a aposta da Floqer para se diferenciar em um segmento já movimentado.
A decisão de abrir o código também sinaliza uma disputa por confiança. Em um banco de dados que reúne informação sensível de clientes e que já é usado por grandes empresas, hospedagem própria e possibilidade de auditoria tendem a pesar na escolha de fornecedores.
O movimento coloca a Floqer em uma posição incomum para uma startup em estágio inicial: em vez de reter a tecnologia, a empresa aposta que a distribuição aberta amplie a adoção e resolva o limite de atendimento que hoje restringe o acesso ao produto.







