Em 22 de setembro de 2026, o weblog de Simon Willison publicou uma citação do criador @therealcornpop, gravada em vídeo no TikTok, sobre o uso de inteligência artificial na escrita de roteiros para TikTok e YouTube. A postagem foi feita às 18h03.
Integra a série de "quotations" que Willison mantém no site, com falas de terceiros que considera relevantes para o debate sobre IA.
O vídeo está no perfil do criador no TikTok. O tema não é o funcionamento dos modelos de linguagem, mas o efeito de entregar a eles a tarefa de escrever um roteiro inteiro.
Segundo o criador, é evidente quando um vídeo de TikTok ou YouTube foi roteirizado por IA.
O diagnóstico: falta voz, não técnica
A crítica central não recai sobre erros gramaticais. O criador diz que o problema é a ausência de qualquer coisa pessoal no texto.
Ele fala da falta de uma ponta definida, de um fio de voz que atravesse o roteiro, algo que identifique quem está falando. Acrescenta o ponto que considera mais revelador: dá para perceber que o autor do texto não tem opinião sobre o assunto de que trata.
Essa distinção desloca o debate. A discussão sobre conteúdo gerado por IA costuma se concentrar na detecção, na qualidade da redação ou na presença de erros factuais.
O que a fala destacada por Willison propõe é outro critério: não se trata de o texto estar errado, mas de ele não defender nada.
Os sinais que denunciam um roteiro de máquina
Antes de chegar ao vazio de opinião, o criador lista marcas de estilo que se tornaram reconhecíveis. A primeira é a construção em que a frase nega uma coisa para afirmar outra, o molde "não é X, é Y", repetido à exaustão.
A segunda é a regra de três: a mania de organizar ideias em trios, que dá ao discurso uma aparência de completude.
Há ainda, segundo ele, um ritmo quebrado, uma escrita picotada, cheia de marcas de pontuação que fazem o texto soar profundo sem que haja profundidade. São esses padrões que tornam o resultado identificável muito antes de qualquer ferramenta de detecção entrar em cena.
Por que isso importa
O post de Willison foi arquivado sob três marcadores: IA, TikTok e uso indevido de IA. Na data da publicação, o weblog registrava 2.245 posts com a tag de inteligência artificial, 14 com a tag do TikTok e 64 com a tag de uso indevido de IA.
O volume situa a fala dentro de uma preocupação recorrente do autor com aplicações questionáveis da tecnologia.
Para quem produz conteúdo em escala em plataformas como TikTok e YouTube, o alerta tem consequência prática. Um roteiro padronizado pode até cumprir requisitos de formato, mas não sustenta aquilo que faz um vídeo se diferenciar: um ponto de vista.
Quando a tarefa de escrever é terceirizada por completo ao modelo, o que se ganha em velocidade se perde justamente naquilo que o criador aponta: a existência de alguém com algo a dizer.
A observação dialoga com um debate mais amplo sobre autoria e IA. A crítica não pede o abandono das ferramentas, e sim a manutenção do que é insubstituível no processo: a opinião de quem assina o texto.
Um roteiro pode ser acelerado por um modelo, mas a voz, se ela existir, continua tendo de vir de algum lugar.
Fontes e links
- Simon Willison's Weblog — post original com a citação, publicado em 22 de setembro de 2026.
- Vídeo de @therealcornpop no TikTok, fonte da fala citada.
- Jev introduces a new shape of LLM - System One, aka Decision Models, artigo recente no mesmo weblog.
- OpenAI agents attacked RubyGems back in May, artigo recente no mesmo weblog.







