Meta aposta tudo no agente Muse e leva IA aos óculos no Connect

Meta aposta tudo no agente Muse e leva IA aos óculos no Connect

Nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, Mark Zuckerberg subiu ao palco do Connect, o evento anual da Meta em Menlo Park, para apresentar uma bateria de novidades do Muse, o agente pessoal de inteligência artificial que a companhia lançou no início do mês.

A mensagem central da keynote foi direta: a Meta está apostando todas as suas fichas no produto.

Segundo o CEO, o Muse deve se transformar, nos próximos anos, na "superinteligência pessoal" que bilhões de pessoas vão usar para cumprir metas e melhorar a própria vida.

Zuckerberg apareceu de calça cáqui e camiseta preta com a frase "Building is My love Language" estampada na frente.

O agente foi concebido para executar tarefas do dia a dia conectando-se a aplicativos e serviços do usuário, como e-mail e calendário.

Nos bastidores, ele roda sobre o Muse Spark, o modelo multimodal da Meta criado especificamente para trabalho agêntico.

A empresa vem apresentando o Muse como um assistente mais acessível do que os agentes oferecidos por concorrentes, com a promessa de automatizar desde o começo as tarefas burocráticas da rotina.

Um rosto para o agente

Uma das novidades mais curiosas do evento é que os usuários poderão criar um avatar digital exclusivo para o próprio agente e conversar com ele por vídeo em tempo real.

O recurso é alimentado por um novo modelo, o Muse Realtime Avatar, segundo a Meta.

A proposta é dar rosto, corpo e voz a um software que até agora não tinha aparência, o que traz um certo ar de metaverso à demonstração feita no palco.

Zuckerberg revelou ainda que o avatar físico do agente se chama Jolly.

Com o recurso, será possível manter conversas ao vivo com o avatar, passar tarefas e fazer perguntas.

Nos óculos e no mac

A Meta também anunciou a integração do Muse com sua linha de óculos inteligentes.

Na prática, o usuário poderá falar com o agente apenas conversando com os óculos, que são ativados por uma palavra de despertar.

Entre as funções citadas pela empresa estão conduzir um treino personalizado, registrar refeições, marcar compromissos e ajudar a comprar produtos vistos pela pessoa.

O agente trabalha em segundo plano e retorna quando termina a tarefa.

A companhia não precisou a data exata de chegada do recurso, mas afirmou que ele deve ser lançado "nos próximos meses".

O computador também entra na lista. A Meta afirmou que vai levar o trabalho de computador do Muse ao Mac, ampliando o que já havia adiantado dias antes, em 18 de setembro.

Na prática, o usuário poderá delegar tarefas ao agente, que será capaz de operar qualquer aplicativo do desktop, de modo semelhante a agentes populares da OpenAI e da Anthropic.

"Você pode pedir ajuda para tocar seu pequeno negócio, ou simplesmente fazer o trabalho por você", disse Alexandr Wang, diretor de IA da Meta, durante a keynote.

"Você pode sair de perto do computador e ele continua trabalhando em tudo o que você enfileirou."

Como o Muse deve operar continuamente em segundo plano, a Meta também está desenvolvendo um endereço de e-mail próprio para o agente.

Wang disse que o recurso chega "em breve", sem dar um prazo mais preciso.

Usuários poderão adicionar o Muse a uma conversa de e-mail ou encaminhar mensagens para ele.

Modelo de negócio

Zuckerberg também detalhou como pretende ganhar dinheiro com o agente.

Segundo ele, o Muse será gratuito para um volume enorme de tokens, e a expectativa é de que a Meta lucre ao longo do tempo cobrando uma pequena taxa sobre transações.

"Estamos sustentando isso tornando o Muse gratuito para um número gigantesco de tokens, com a expectativa de que, com o tempo, vamos lucrar cobrando uma pequena taxa das transações", afirmou.

Por que isso importa

A ofensiva mostra como a Meta tenta transformar o Muse no centro de sua estratégia de IA para consumidores, em vez de mantê-lo como mais um assistente entre tantos.

Ao levar o agente para óculos, para o Mac e para o e-mail, a companhia reduz o atrito para que ele acompanhe o usuário em diferentes dispositivos e contextos.

É exatamente o tipo de presença contínua que define a disputa atual entre agentes de IA.

O desafio, a partir de agora, é convencer as pessoas a confiar tarefas reais a um software que fala, ouve e age em nome delas.

Fontes e links

Matéria publicada originalmente em TechCrunch

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