A Nous Research, desenvolvedora do agente open-source Hermes, confirmou nesta quarta-feira, 7 de outubro de 2026, uma rodada Série B de US$ 90 milhões que eleva a avaliação da companhia a US$ 1,5 bilhão. A informação foi publicada pelo The Wall Street Journal e referenda uma apuração que o TechCrunch já havia adiantado em julho.
Junto com o aporte, a startup anunciou o lançamento do "Hermes for Businesses", sua oferta voltada ao mercado corporativo.
Uma rodada com investidores de peso
A Série B foi liderada pela Robot Ventures e contou com a participação de nomes como NVIDIA, Union Square Ventures, Menlo Ventures, Samsung e a 1789 Capital, fundo do qual Donald Trump Jr. é sócio. Com o novo financiamento, a Nous Research, empresa de três anos de existência, acumula US$ 158 milhões captados desde a fundação.
O volume de capital e a presença de investidores industriais e de risco tradicionais indicam que o mercado passou a enxergar projetos de código aberto como ativos capazes de sustentar modelos de negócio escaláveis.
Hermes: 24 milhões de clones e 2,5% dos tokens
O ativo central da empresa é o Hermes, agente de código aberto bastante difundido entre desenvolvedores e usuários individuais. Segundo estimativas da própria startup, o agente já foi clonado mais de 24 milhões de vezes e responde por aproximadamente 2,5% do uso global de tokens de IA.
A métrica, ainda que calculada internamente, ajuda a dimensionar a capilaridade de um projeto aberto que cresceu fora dos grandes laboratórios fechados e se tornou base para inúmeras aplicações construídas por terceiros.
Essa base de adoção é justamente o argumento comercial da Nous Research ao se aproximar de empresas. Em vez de competir apenas pela atenção de desenvolvedores individuais, a companhia tenta converter a popularidade do agente em contratos corporativos, um caminho já trilhado por outros projetos de software livre que monetizam suporte, customização e governança.
O que o hermes for businesses entrega
Segundo a empresa, o "Hermes for Businesses" permite que companhias implantem agentes de IA customizados, capazes de executar fluxos de trabalho com múltiplas etapas, mantendo os dados privados e seguros. Esse ponto é sensível para departamentos de tecnologia e conformidade: fluxos multi-etapa exigem que o agente acesse sistemas internos, execute ações e mantenha contexto ao longo de várias tarefas, o que torna privacidade e segurança requisitos centrais na decisão de compra.
A proposta coloca a Nous Research em um território disputado por fornecedores de plataformas de agentes, no qual a personalização e o controle sobre os dados costumam pesar mais do que o custo por token. Para a startup, o diferencial é a possibilidade de adaptar um agente já conhecido e testado publicamente às necessidades específicas de cada organização.
Receita em trajetória acelerada
O crescimento comercial já aparece nos números. De acordo com o The Wall Street Journal, a Nous Research registrava cerca de US$ 36 milhões em receita anualizada por volta de meados de setembro de 2026 e espera ultrapassar a marca de US$ 100 milhões antes do encerramento do ano.
O salto projetado em poucos meses sugere que a demanda corporativa por agentes personalizados está se convertendo em contratos com valores relevantes.
Por que isso importa
O caso da Nous Research sintetiza uma tendência relevante do setor: projetos de código aberto que constroem comunidade e adoção em larga escala antes de buscar receita, para depois vender capacidades empresariais como implantação privada, integração com sistemas internos e suporte. Se a estratégia funcionar, o modelo reforça a tese de que abertura não é obstáculo à monetização, e sim um canal para ela.
Há também um efeito de sinalização para o ecossistema. Uma avaliação de US$ 1,5 bilhão para uma empresa de três anos, com participação de NVIDIA, Samsung e fundos de capital de risco tradicionais, sugere que o apetite por agentes de IA aplicados a fluxos de trabalho corporativos segue aquecido, mesmo em um cenário de escrutínio crescente sobre custos e retorno de investimentos em IA.
O desempenho da linha "for Businesses" nos próximos trimestres será o principal termômetro para saber se a aposta se sustenta.







