No palco do HumanX, em Amsterdã, o cofundador da Lovable, Fabian Hedin, anunciou nesta quinta-feira (24) que a plataforma de vibe coding ultrapassou a marca de US$ 600 milhões em receita anualizada. É o chamado run rate, indicador que projeta para doze meses o faturamento recente da companhia.
O patamar representa um salto considerável para uma startup que, em junho, dizia operar na casa dos US$ 500 milhões sob o mesmo critério.
De us$ 500 milhões a us$ 600 milhões em três meses
Em junho, a empresa afirmou ter alcançado US$ 500 milhões de receita anualizada e cerca de 1 milhão de novos projetos por semana. A comparação aponta um avanço de aproximadamente 20% em apenas três meses.
Hedin atribuiu boa parte desse crescimento à decisão de mirar clientes corporativos, e não apenas desenvolvedores individuais ou pequenos times. Segundo ele, dois terços das empresas que integram a lista Fortune 500 já utilizam o produto.
O produto final não é código, é negócio
Em sua apresentação, Hedin traçou uma distinção entre a Lovable e ferramentas como Codex ou Claude Code, voltadas a produzir código a partir de comandos em linguagem natural. Para ele, a diferença é que a Lovable não entrega código: entrega um produto e, cada vez mais, um negócio.
A empresa concentra esforços em hospedagem, implantação e escalabilidade dos aplicativos criados por seus usuários. São etapas que costumam ser as mais penosas para quem não é programador profissional.
Como evidência de que essa produção chegou à vida real, o cofundador afirmou que os aplicativos gerados na plataforma somam hoje perto de 1 bilhão de visitas por mês. O volume é uma ordem de magnitude superior ao tráfego do próprio site da Lovable.
Enterprise, fortune 500 e us$ 700 milhões captados
Entre os clientes citados por Hedin estão Microsoft, NVIDIA e Deutsche Telekom. Os nomes ajudam a explicar por que a empresa passou a priorizar o mercado corporativo.
O apetite dos investidores acompanhou esse movimento. A Lovable levantou mais de US$ 700 milhões em duas rodadas separadas por apenas oito meses.
Em dezembro, captou US$ 300 milhões com Menlo Ventures e CapitalG, em uma avaliação de US$ 6,6 bilhões. Em agosto, voltou ao mercado e confirmou uma nova rodada de US$ 400 milhões com Menlo Ventures e o Scaleup Europe Fund, elevando sua avaliação a US$ 13,3 bilhões, mais que o dobro da marca anterior.
Por que isso importa
O caso da Lovable funciona como termômetro do avanço do vibe coding, a prática de construir software descrevendo em linguagem natural o que se quer e deixando a IA cuidar da implementação. A receita anualizada mede a disposição do mercado em pagar por esse tipo de ferramenta.
O volume de acessos aos aplicativos gerados mede outra coisa: que essas criações estão sendo usadas de fato, e não apenas testadas em protótipos descartáveis. A comparação com o patamar já reportado em junho mostra que a curva de crescimento não desacelerou no intervalo.
O movimento também desloca a competição. Em vez de disputar qual modelo escreve o código mais elegante, a Lovable aposta no pacote completo que envolve publicar, hospedar e escalar o que foi criado, incluindo infraestrutura e operação contínua.
É uma proposta que atrai empresas, mas coloca questões que devem ganhar peso conforme esses aplicativos amadurecem: governança, manutenção de longo prazo e dependência de um único fornecedor para colocar o produto no ar. Como Hedin escolheu anunciar os números em um evento de tecnologia na Europa e não em um balanço formal, os valores seguem sendo declarações da própria companhia, sem detalhamento público de margens, custos de infraestrutura ou composição da receita entre planos individuais e contratos corporativos.
Fontes e links
- TechCrunch
- Lovable diz ter atingido US$ 500 milhões em receita anualizada (junho)
- Lovable confirma valuation de US$ 13,3 bilhões e nova captação de US$ 400 milhões (agosto)







