Em 12 de outubro de 2026, a Honeyjar entrou na disputa da Startup Battlefield 200, vitrine de startups do TechCrunch Disrupt cujo evento principal começa em 13 de outubro. A proposta é direta: usar inteligência artificial para colocar a experiência e o julgamento dos melhores profissionais de relações públicas à disposição de qualquer empresa, inclusive de fundadores que não fazem ideia de por onde começar.
O que a ferramenta faz
A Honeyjar automatiza tarefas que costumam consumir o dia de quem cuida de comunicação: redigir anúncios, identificar os jornalistas mais adequados para um pitch e mapear as oportunidades de palco mais promissoras.
A ferramenta também encontra repórteres, monta listas de mídia, varre notícias e redes sociais, acompanha a cobertura publicada e destaca oportunidades relevantes.
Nadia Jamshidi, CCO da startup, afirma que a ambição vai além de conseguir espaço na imprensa.
Em sua visão, encontrar repórteres e monitorar menções são capacidades importantes, mas apenas uma parte do que está sendo construído.
A ideia central é reunir todo o fluxo de trabalho de comunicação em um só lugar: sinais, contexto, estratégia, julgamento, timing e execução.
Quem está por trás
As duas fundadoras carregam décadas de estrada no setor, com passagens por departamentos internos de comunicação e por agências.
Michelle Masek, CEO, atuou recentemente como vice-presidente sênior de marketing e comunicação da Obvious Ventures, a firma de capital de risco de Ev Williams.
No cargo, ela lidava com o "porquê" e o "quando" da comunicação e do marketing de 110 empresas do portfólio.
A pergunta que originou o produto nasceu dessa rotina de atender fundadores em busca de espaço na imprensa.
Existe uma forma de escalar em IA a expertise sênior?
A ideia é ajudar os usuários a fazer o trabalho de comunicação de maneira proativa e qualificada, como fazem os profissionais experientes.
Julgamento humano no centro
A preocupação de que a IA apenas multiplique pitches genéricos é tratada de frente pelos fundadores.
Masek afirma que a Honeyjar pode redigir um e-mail de abordagem ou um post para redes sociais com a voz do cliente, mas é o próprio cliente que precisa apertar o botão de enviar ou publicar.
"Nunca queremos um mundo em que o humano seja removido do circuito", diz.
É aí que o julgamento entra como diferencial.
As fundadoras dizem ter tentado infundir e codificar a ferramenta com a própria sabedoria acumulada.
Por meio de uma iniciativa chamada Comms Lab, o produto também vem sendo treinado com o julgamento de outros profissionais de relações públicas.
Para Jamshidi, julgamento é saber o que fazer, o que não fazer, quando agir e como se adaptar à situação.
Isso exige entender os objetivos e as prioridades de uma empresa, o que acontece dentro e fora da organização e o que dizer, para quem, onde e quando.
Em alguns casos, segundo Masek, a Honeyjar pode até avisar um fundador de que ele ainda não está pronto para receber cobertura.
Tração, receios e o que vem pela frente
Quando a lista de espera foi aberta, a Honeyjar registrou 10 mil inscrições nas primeiras 24 horas, segundo Masek.
Entre os testadores da versão beta estão a Nextdoor, a startup de tecnologia Coco Robotics, o investidor Bloomberg Beta e as agências Mission North e Full Picture.
O avanço também levanta um alerta para jornalistas, que já recebem mais pitches do que conseguem responder, muitos deles escritos por chatbots.
A própria matéria de origem admite o temor de uma enxurrada ainda maior de conteúdo genérico.
A resposta da Honeyjar é que a ferramenta não pretende substituir profissionais de relações públicas.
Masek argumenta que ela pode tornar agências e times internos mais eficazes.
Ela também pode permitir que um profissional individual assuma aquele terceiro cliente sem custo adicional de escala.
O alvo, porém, é mais amplo do que o mercado tradicional de PR.
Masek afirma ter percebido que existem milhões e milhões de comunicadores sem cargo formal de comunicação, como profissionais de marketing, investidores, autores, criadores, superintendentes escolares e dirigentes de times esportivos.
A necessidade de acertar na comunicação estratégica, diz ela, é horizontal e circula por muitas mãos, mas os problemas não costumam ser resolvidos.
