Pesquisa: 61% dos eleitores dos EUA rejeitam data centers de IA

Pesquisa: 61% dos eleitores dos EUA rejeitam data centers de IA

A construção de data centers para sustentar a inteligência artificial se consolidou como um dos temas mais impopulares da política americana. Pesquisa divulgada na terça-feira, 15 de setembro de 2026, pelo New York Times em parceria com a Universidade Siena mostra que 61% dos 1.503 prováveis eleitores ouvidos no início daquele mês se opõem à construção dessas instalações para alimentar a tecnologia.

Apenas 14% afirmam apoiar fortemente os projetos. O restante se distribui entre posições mais brandas ou indefinidas.

O levantamento foi realizado antes de ganhar tração o debate sobre uma possível desaceleração no ritmo de desenvolvimento da IA.

Rejeição ampla e bipartidária

Os números variam conforme a preferência política, mas a oposição aparece em todos os grupos. Entre quem votou em Donald Trump em 2024, o placar é praticamente um empate: 49% de apoio contra 45% de oposição.

Já entre os eleitores de Kamala Harris, a rejeição alcança 74%. Entre os que não votaram, 67%.

Nos Estados Unidos, a decisão sobre onde instalar esses complexos costuma passar por instâncias locais. O assunto vira pauta frequente de audiências públicas, conselhos municipais e campanhas estaduais.

O resultado confirma uma tendência já captada por outros levantamentos ao longo de 2026. Candidatos de ambos os partidos começaram a incorporar o tema ao discurso.

O que explica a objeção

Entre os entrevistados que se declaram contrários, 56% dizem preferir limites à expansão e 38% defendem um banimento total.

As justificativas revelam uma combinação de preocupações ambientais, locais e culturais. O impacto ambiental e o consumo de água lideram as menções, com 32%, seguidos pelos efeitos sobre as comunidades locais, com 21%.

A desconfiança ou a antipatia em relação à IA aparece em 18% das respostas. Preocupações regulatórias somam 10% e questões econômicas, 9%.

Os data centers de IA demandam grandes volumes de energia elétrica e de água para refrigeração. Isso ajuda a explicar por que a objeção mais citada não é tecnológica, e sim ambiental.

Um assunto que ainda não decide votos

Apesar da impopularidade, o tema ocupa pouco espaço na lista de prioridades do eleitorado. Em praticamente todos os recortes demográficos, IA e data centers ficaram abaixo de 1% entre os assuntos mais importantes para definir o voto nas eleições de meio de mandato.

A exceção são os mais jovens. No grupo de 18 a 29 anos, 3% apontaram o tema, contra prioridades como economia, política externa, inflação e oposição a Trump e aos republicanos.

Na hora de dizer qual partido inspira mais confiança para tratar da questão, cada eleitorado escolheu majoritariamente a própria legenda. Entre os 554 respondentes desse ponto, 40% ficaram com os democratas, 42% com os republicanos e 18% não souberam ou preferiram não responder.

Uma sequência de sinais negativos

O dado mais recente se soma a outros indicadores divulgados ao longo do ano. Pesquisa da NBC News de março de 2026 já havia colocado a IA com avaliação pior que a do ICE, a agência de imigração americana.

Em maio, levantamento da Gallup revelou que sete em cada dez americanos se opunham à construção de data centers de IA perto de onde vivem.

A pressão tem se traduzido em disputa política. Protestos contra data centers aproximaram conservadores e progressistas em pautas comuns, como no condado de Hernando, na Flórida.

O condado de Loudoun, na Virgínia, virou vitrine das tensões em torno da ocupação do território por essas estruturas.

O que está em jogo

Para as empresas de tecnologia, o cenário é delicado. A expansão da capacidade computacional necessária para treinar e operar modelos de IA depende justamente da aceitação local desses projetos.

A leitura do material divulgado nesta terça-feira indica que a resistência não se limita a um grupo ideológico. Isso reduz o espaço para soluções de comunicação e aumenta a necessidade de negociação com comunidades, estados e municípios.

Ao mesmo tempo, a baixa prioridade do tema nas urnas sugere que a IA ainda não se converteu em voto, mesmo sendo amplamente rejeitada como vizinhança.

O intervalo entre a impopularidade registrada nas pesquisas e o peso eleitoral reduzido do assunto é o principal desafio para quem tenta transformar a insatisfação em política pública.

Fontes e links

Matéria publicada originalmente em The Verge

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