A Mecka AI, startup que coleta e analisa dados de movimento humano para treinar robôs humanoides e outras máquinas, está perto de fechar uma nova rodada de investimento liderada pela Sequoia Capital com avaliação de aproximadamente US$ 500 milhões. A informação foi publicada em 11 de setembro de 2026 pelo TechCrunch e atribuída a duas pessoas com conhecimento da negociação.
O tamanho exato do aporte não foi divulgado. Os termos do acordo ainda não são definitivos e podem mudar.
Procuradas, a Mecka AI não respondeu ao pedido de comentário. A Sequoia preferiu não se manifestar.
O movimento chega três meses depois de a companhia anunciar uma rodada de US$ 60 milhões liderada pela Framework Ventures, com participação de Menlo Ventures, SV Angel e Kindred Ventures. Em um único trimestre, a empresa passou de uma Série A recém-anunciada para conversas que a colocariam próxima de meio bilhão de dólares em valor de mercado.
O dado sinaliza o apetite do capital de risco por infraestrutura de dados voltada à robótica.
Dados do corpo humano como matéria-prima
O modelo de negócio da Mecka consiste em pagar pessoas para gravarem a si mesmas executando tarefas cotidianas, como preparar café ou consertar carros, usando sensores corporais e smartphones. Essa abordagem chamada de egocêntrica captura interações do mundo real em primeira pessoa.
Laboratórios de IA e fabricantes de robôs usam esse material ao lado de outros métodos de coleta física, como a teleoperação, para construir seus modelos.
A tese nasceu de uma constatação simples: faltam dados do mundo físico. Os fundadores identificaram que a escassez de registros de interação real era o principal gargalo para o avanço de robôs de propósito geral, incluindo os humanoides.
O nome da empresa vem de mecha, o robô gigante fictício controlado por humanos. A ambição declarada é fazer para a robótica o que companhias de dados humanos como Scale AI, Mercor, Surge e Micro1 fizeram para os grandes modelos de linguagem.
Quem está por trás da mecka
A Mecka AI foi cofundada em 2024 por quatro empreendedores. Os canadenses Josh Gao e Mogen Cheng construíram anteriormente uma fintech voltada ao setor de restaurantes.
Jason Chong entrou na Coinbase depois que a exchange adquiriu sua corretora de criptomoedas. Duy Nguyen, o único não canadense do time, concentra-se nas operações da empresa.
Nenhum dos quatro fundadores tem formação ou trajetória em robótica. Ainda assim, souberam ler o gargalo do mercado e apostar que capturar interações reais seria o caminho para destravar a robótica de uso geral.
Em junho de 2026, a empresa projetava encerrar o ano com um run rate anual de US$ 100 milhões, segundo Josh Gao declarou à Fortune quando a rodada anterior foi anunciada. A lista de clientes da startup nunca foi divulgada publicamente.
A corrida pelo dado físico
O setor de dados para treinamento de robôs vive um momento de aceleração. A XDOF, que saiu do modo stealth há três meses, negociava uma Série B com avaliação de US$ 1,2 bilhão, conforme o TechCrunch noticiou em 4 de setembro de 2026.
Plataformas de dados humanos tradicionais, como a Scale AI e a Micro1, também vêm ampliando sua atuação para além dos modelos de linguagem, buscando capturar o valor dessa nova fronteira.
O contexto ajuda a explicar por que uma empresa de dois anos consegue atrair uma avaliação na casa das centenas de milhões. Historicamente, o gargalo da inteligência artificial esteve nos modelos, nas GPUs ou na disponibilidade de textos na internet.
Na robótica, o limite é outro: não existe uma web de movimentos humanos pronta para ser raspada. Cada gesto precisa ser gravado, anotado e organizado por alguém, o que transformou a coleta de dados físicos em um negócio com margens próprias e demanda crescente.
Por que isso importa
Se a rodada for confirmada nos termos que circulam, a Mecka AI se junta a um grupo seleto de startups de infraestrutura de IA que alcançaram avaliações bilionárias ou próximas disso em pouco tempo de operação.
Para o mercado, o recado é que o investimento em robótica está migrando da promessa dos humanoides para a base que os sustenta: os dados. Sem volume, diversidade e qualidade de registros do mundo real, os modelos de controle e percepção continuam limitados a ambientes controlados.
Os termos não estão fechados e o valor final pode ser diferente do que as fontes relataram. A própria Mecka AI não confirmou a operação, e a Sequoia, que lideraria o round, também não comentou.
O simples fato de a conversa existir três meses após a Série A indica que o apetite por dados de treinamento robótico não dá sinais de arrefecer.
Fontes e links
- TechCrunch
- XDOF negocia Série B com avaliação de US$ 1,2 bilhão
- Scale AI e as rachaduras na parceria com a Meta
- Micro1 capta recursos com avaliação de US$ 500 milhões







