O Orange Business, braço B2B de serviços de telecomunicações e digitais do Grupo Orange, detalhou em 13 de outubro de 2026 como construiu a Live Intelligence, sua plataforma de inteligência artificial corporativa, sobre LangChain e LangSmith. A plataforma está implantada para 120 mil funcionários da Orange e já foi adotada por mais de 150 clientes na França e na Europa.
O relato é um estudo de caso publicado no blog da LangChain.
Do impasse de construir do zero ao live intelligence studio
Quando desenvolveu seus primeiros produtos de IA, o Orange Business queria oferecer aos clientes formas seguras de gerar valor com a tecnologia. O Live Intelligence Portal permite que funcionários criem agentes simples e disparem chamadas básicas de API, o que atende tarefas pessoais de nível inicial.
O passo seguinte, porém, exigia agentes capazes de orquestrar processos de negócio completos entre sistemas corporativos fragmentados, governar quem acessa o quê e operar de forma confiável em produção, com escala.
Reproduzir internamente a infraestrutura de orquestração, implantação, monitoramento e observabilidade que agentes de nível corporativo exigem levaria mais de um ano de desenvolvimento. Em vez de começar do zero, a empresa foi buscar a base certa — e foi assim que nasceu o Live Intelligence Studio.
Cerca de 20 fornecedores avaliados com foco em código aberto
A Orange Innovation, área de prospecção de inovação do Grupo Orange, avaliou aproximadamente 20 grandes provedores de nuvem e fornecedores especializados em IA. A escolha pelo LangChain se apoiou na neutralidade de modelo e na portabilidade, o que permite ao time manter a propriedade total da arquitetura de agentes e gerenciar cargas de trabalho diante das exigências europeias de soberania de dados.
Para avaliações e observabilidade, o LangSmith foi considerado o encaixe mais forte.
"As capacidades de observabilidade do LangSmith estavam significativamente à frente do que poderíamos realisticamente construir internamente", afirmou Mathieu Ducrot, Head of AI Products do Orange Business, segundo o estudo de caso. "Construir isso nós mesmos provavelmente atrasaria nosso roadmap de doze a dezoito meses."
Studio, portal e console: três camadas, três públicos
A Live Intelligence se organiza em três componentes. O Live Intelligence Studio é o ambiente para engenheiros de IA e desenvolvedores de agentes desenharem fluxos complexos entre sistemas.
Ele reúne um catálogo de LLM-as-a-Service, com modelos hospedados na infraestrutura do Orange Business e em nuvem pública, um construtor de agentes baseado no LangSmith Fleet, suporte a MCP, observabilidade via LangSmith e ferramentas de orquestração.
O Live Intelligence Portal é a interface dos usuários de negócio: equipes de RH redigindo descrições de vagas, times jurídicos revisando cláusulas de NDA, times de software gerando scripts de teste automaticamente e helpdesks montando agentes de suporte de TI. Fluxos criados no Studio podem ser publicados diretamente no Portal, com experiência governada.
Já o Live Intelligence Console dá visibilidade e controle aos administradores corporativos, com monitoramento de uso, acompanhamento de desempenho e aplicação de políticas de segurança e conformidade.
Registries de agentes e de mcp para governança entre áreas
Além dos agentes individuais, a plataforma adiciona duas camadas organizacionais. O Agent Registry permite descobrir, reutilizar, versionar e governar agentes e prompts em toda a organização, transformando capacidades em ativos compartilhados com ciclo de vida gerenciado, em vez de cada time reconstruir a mesma solução.
Para gestão de prompts, a Orange usa o LangSmith Context Hub para manter diferentes versões por ambiente, o que possibilita testar e validar mudanças antes de liberá-las em produção, sem alterar código.
O MCP Registry oferece um catálogo centralizado de ferramentas, conectores e capacidades externas confiáveis. Os agentes acessam sistemas corporativos como Microsoft 365, CRMs, APIs internas e serviços customizados por meio de uma camada controlada e auditável.
Juntas, as duas camadas levam a lógica de negócio para a plataforma e a retiram dos prompts, evitando que cada equipe resolva autenticação, segurança e governança de novo.
LangSmith na pilha de avaliação e o que isso sinaliza
Segundo o caso, o Orange Business opera uma avaliação em três camadas em produção, com o LangSmith apoiando a validação de qualidade e a prevenção de regressões antes que elas cheguem aos usuários. A decisão de comprar em vez de construir aparece como o eixo do relato: em um setor regulado e sensível a soberania de dados, a empresa priorizou portabilidade de modelo e governança verificável em vez de desenvolver cada peça internamente.
Para o mercado corporativo, o caso da Live Intelligence indica que a disputa em IA empresarial migrou da escolha do modelo para a camada de governança: registries, versionamento de prompts, observabilidade e controle de acesso passam a definir o que escala de um piloto para milhares de funcionários.







