Em 24 de outubro de 2026, Simon Willison publicou a versão 14 do Battledrones, seu RTS (jogo de estratégia em tempo real) que roda no navegador de celular. A atualização introduz o mapa "Compass Rose", primeiro cenário do projeto desenhado para quatro jogadores — até então, todas as partidas estavam limitadas a dois.
O anúncio foi feito às 3h59 no blog do desenvolvedor, junto ao registro de release do projeto.
O que muda no jogo
O novo mapa foi construído com simetria rotacional de quatro eixos, ou seja, cada lado do tabuleiro tem as mesmas condições de disputa, o que é uma exigência básica de justiça em mapas com mais de dois participantes. O cenário aceita até quatro jogadores controlados por IA e funciona no modo multiplayer por WebSocket, a variante do jogo que não depende de áudio, diferente da versão inicial do projeto, descrita pelo autor em artigo de 20 de outubro como um RTS "vibe coded" com multiplayer baseado em som.
A entrada na partida acontece por links compartilháveis ou por QR codes. Assentos não ocupados por humanos são preenchidos automaticamente por oponentes de IA, arranjo que já era característico do projeto e que agora precisa funcionar com quatro vagas em vez de duas.
A alteração não se resumiu ao desenho do mapa: o código de rede do modo WebSocket também precisou ser modificado para acomodar até quatro conexões simultâneas naquele cenário.
O prompt por trás da versão
Willison documentou o pedido inicial que enviou ao modelo. O texto pedia, em uma única frase, um novo mapa para batalha de quatro jogadores com simetria rotacional de quatro vias, suporte a até quatro oponentes de IA e compatibilidade com o modo multiplayer por WebSocket, de forma que até quatro humanos pudessem entrar na mesma partida, com vagas restantes entregues à IA.
O modelo usado foi o Claude Opus 4.5, da Anthropic. Segundo o relato, ele criou o mapa "Compass Rose" e ajustou a camada de rede do multiplayer para suportar os quatro jogadores naquele cenário específico.
O episódio é um exemplo do que o próprio autor vem chamando de desenvolvimento assistido por modelo: a instrução descreve o comportamento desejado em linguagem natural, e o trabalho de engenharia, mapa, regras de partida e protocolo de conexão, sai da mesma tarefa.
Vale notar o que o material não informa: não há número de linhas alteradas, tempo de execução, quantidade de iterações até o resultado final nem qualquer métrica de qualidade. O relato é do próprio desenvolvedor, sem avaliação independente, e portanto descreve um caso isolado, não um benchmark de capacidade de modelos em engenharia de software.
Cores, times e a interface
A ampliação para quatro jogadores exigiu também resolver identidade visual. Os novos times usam robôs com tema roxo e verde, que se somam aos designs azul e vermelho já existentes.
Com quatro cores em tela de celular, a legibilidade das unidades passa a ser um problema de design tão relevante quanto o balanceamento do mapa, distinguir rapidamente de quem é cada robô é parte da jogabilidade em um RTS.
As cores novas podem ser conferidas no navegador de modelos atualizado, página auxiliar do projeto que mostra os modelos 3D usados no jogo. É um detalhe pequeno, mas revela o tipo de trabalho que a mudança arrasta: cada assento adicional implica nova paleta, novos ativos e revisão de como o jogador lê a arena em uma tela pequena.
Por que isso importa
Battledrones é um projeto pessoal de pequeno porte, mas o episódio ilustra um padrão que vem se repetindo: modelos de linguagem aplicados a tarefas de engenharia com escopo definido por um prompt curto, dentro de uma base de código que o próprio autor mantém. Passar de dois para quatro jogadores não é apenas duplicar assentos, envolve sincronização de estado entre mais clientes, simetria do mapa para evitar vantagem posicional e ajuste do protocolo de rede.
É justamente o tipo de mudança transversal em que a capacidade do modelo de ler o projeto inteiro importa mais do que a de escrever trechos isolados de código.
O lançamento também reforça a lógica de distribuição do projeto: um jogo web que abre por link ou QR code, sem instalação, com IA preenchendo vagas vazias para que a partida nunca fique incompleta. Para quem acompanha ferramentas de desenvolvimento com IA, o caso serve como registro datado de outubro de 2026 sobre até onde vai, na prática, um pedido de uma frase, e sobre o quanto do resultado ainda depende de o desenvolvedor saber exatamente o que quer e revisar o que recebe.
Fontes e links
- Simon Willison, nota original sobre a versão 14 e o mapa Compass Rose
- Release v14 no GitHub, registro da versão do Battledrones
- Battle Drones: um RTS vibe coded com multiplayer por áudio, artigo anterior do autor sobre o projeto
- Navegador de modelos do Battledrones, prévia dos modelos e das cores dos times







