Em 16 de outubro de 2026, o ator e investidor-anjo Mark Wahlberg afirmou que não vê problema no uso de inteligência artificial na produção cinematográfica, desde que a tecnologia sirva para potencializar o trabalho de quem está criando — e não para ocupar o lugar desse trabalho. A declaração foi registrada em reportagem do TechCrunch, que também destaca a disposição do ator de permitir que um clone digital dê continuidade ao seu legado.
O que foi dito
A posição de Wahlberg é condicional, não entusiástica. Segundo a reportagem, ele diz que o uso de IA no cinema é aceitável quando a ferramenta é empregada para potencializar o que já se está fazendo, ou seja, como reforço de uma criação existente, e não como atalho para dispensar quem escreve, atua ou toca a produção.
O ator também se mostrou aberto à ideia de um gêmeo digital seguir trabalhando em seu nome no futuro, o que amplia a conversa de "ferramenta de produção" para "continuidade de carreira".
O detalhe relevante é quem fala. Wahlberg não é apenas uma estrela de cinema: o material o apresenta também como investidor-anjo em tecnologia.
Isso faz com que sua declaração circule em dois mercados ao mesmo tempo, o audiovisual e o de startups,, o que ajuda a explicar o tom conciliador da fala.
Por que isso importa
A declaração se soma a um debate que já divide o setor audiovisual: de um lado, quem enxerga na IA generativa uma forma de reduzir custos e acelerar etapas de produção; de outro, quem teme que a mesma tecnologia seja usada para cortar postos de trabalho e diluir direitos sobre imagem e voz. Ao dizer que a IA só é bem-vinda quando potencializa o trabalho, Wahlberg oferece uma fórmula intermediária que agrada aos dois lados, e que, na prática, é mais difícil de aplicar do que de enunciar.
A reportagem do TechCrunch trata o tema como um caso de uso feito "do jeito certo", expressão que resume bem o espírito da declaração: a discussão deixa de ser "IA sim ou não" e passa a ser "IA sob quais condições".
Onde a tecnologia encosta no set
Quando cinema e IA aparecem juntos, o repertório costuma incluir captura de performance, rejuvenescimento digital de atores, dublagem sintética, reconstrução de voz e geração de cenas ou planos por modelos generativos. São aplicações diferentes entre si, com níveis distintos de intervenção: algumas apenas corrigem ou ampliam o que já foi filmado; outras produzem imagem nova a partir de instruções em texto.
É nessa segunda categoria que mora a polêmica. Se a IA apenas melhora o que existe, o trabalho humano segue no centro da produção.
Se ela gera a cena inteira, a pergunta sobre autoria, pagamento e crédito muda de figura, e é justamente aí que uma frase como "potencializar o que você está fazendo" precisa virar contrato, com escopo definido e limites explícitos.
Legado, consentimento e controle
A parte mais delicada da declaração é a abertura a um clone digital. Gêmeos digitais levantam questões sobre consentimento, remuneração, duração do uso e sobre quem decide o que o clone pode ou não fazer, inclusive depois que a pessoa não está mais lá para aprovar cada escolha.
Aberturas desse tipo são, ao mesmo tempo, um voto de confiança na tecnologia e um convite a regras mais claras por parte de produtoras, estúdios e representantes dos profissionais da área.
O que observar daqui para frente
Fica a pergunta sobre como essa posição se traduz em prática: quais usos entram no "potencializar" e quais ficam de fora? A resposta tende a aparecer menos em entrevistas e mais em contratos, cláusulas de imagem e acordos coletivos.
Enquanto isso, declarações como a de Wahlberg funcionam como termômetro de uma indústria que tenta acomodar a IA sem abrir mão de quem faz o filme acontecer.
Fontes e links
- TechCrunch, reportagem original publicada em 16 de outubro de 2026.







