A Crusoe anunciou nesta quinta-feira, 17 de setembro de 2026, a captação de US$ 3,9 bilhões em uma rodada Série F. A operação empurra a avaliação da empresa de infraestrutura para data centers a US$ 30,9 bilhões.
O aporte foi co-liderado por Atreides Management, Mubadala Capital e Valor Equity Partners. Participaram Founders Fund, GIC, NVIDIA, Qatar Investment Authority (QIA), Radical Ventures e TPG, segundo a própria companhia.
Da mineração de cripto à infraestrutura de IA
A Crusoe nasceu em 2018 como uma operação de mineração de criptomoedas alimentada por gás natural associado. É o gás que é queimado nas tochas das refinarias.
A empresa tem oito anos de operação.
A companhia mudou de rota conforme a demanda por poder de computação disparou. Hoje tem entre seus clientes Meta, Microsoft e Oracle.
O novo aporte chega dez meses depois de uma rodada Série E de US$ 1,38 bilhão, em outubro de 2025, que avaliou o negócio em US$ 10 bilhões.
A empresa também assinou um contrato de nuvem de cerca de US$ 13 bilhões, com duração de cinco anos, para fornecer GPUs e infraestrutura de IA à corretora quantitativa Jane Street. A informação é da Bloomberg, de 3 de setembro de 2026.
Abilene, spark e as fábricas modulares
O capital fresco vai financiar projetos de data centers já em andamento. Entre eles está o grande site em Abilene, no Texas, usado pela OpenAI, e as fábricas modulares de IA.
As fábricas modulares são unidades menores, que podem ser transportadas por caminhão e conectadas a grandes fontes de energia praticamente em qualquer lugar. Batizadas de Spark, essas estruturas são fabricadas nas próprias instalações da Crusoe.
O modelo permite colocar capacidade de computação em operação rapidamente. Dispensa também uma força de trabalho numerosa de construção civil.
As unidades compactas ajudam a empresa a contornar, ao menos em parte, um dos principais obstáculos enfrentados por desenvolvedores de data centers. É a reação de comunidades locais contrárias à instalação de complexos gigantes perto de suas vizinhanças.
Como a empresa ganha dinheiro
O modelo de negócios da Crusoe tem três frentes. A primeira é alugar espaço de data center para clientes que trazem suas próprias GPUs.
A segunda é alugar suas próprias GPUs. A terceira é vender poder de computação para rodar modelos de IA, atividade conhecida como inferência.
Essa combinação ajudou a tornar a companhia uma das mais valiosas do setor de infraestrutura de IA.
Chase Lochmiller, cofundador e CEO da Crusoe, afirmou em comunicado que acredita que a inteligência artificial vai inaugurar uma era de abundância. Disse que chegar até lá exige "controlar a infraestrutura dos elétrons aos tokens".
Ele disse ser grato por ter investidores que compartilham essa convicção.
Reforço no conselho e planos de bolsa
A empresa anunciou ainda três novos membros do conselho de administração. São Thomas Seifert, CFO da Cloudflare; Bill Stein, sócio e CIO da Primary Digital Infrastructure; e JB Straubel, fundador e CEO da Redwood Materials, que também integra o conselho da Tesla.
Straubel já tinha ligações com a Crusoe. Investiu pessoalmente na companhia em 2021 e, mais tarde, a Crusoe se tornou a primeira cliente do negócio de armazenamento de energia da Redwood.
No mês anterior ao anúncio, a Crusoe se reuniu com bancos de investimento, incluindo Goldman Sachs e Morgan Stanley, para discutir uma possível oferta pública inicial no futuro próximo, segundo a Axios.
A rodada bilionária reforça o caixa de uma empresa que combina expansão de data centers tradicionais com uma aposta em unidades modulares. A companhia se prepara para eventualmente estrear na bolsa.
Fontes e links
- TechCrunch
- Crusoe — novos membros do conselho
- Crusoe, anúncio da Série E
- Bloomberg, contrato com a Jane Street







