Censo dos EUA troca 'IA' por 'Super Inteligência' em pesquisa

Censo dos EUA troca 'IA' por 'Super Inteligência' em pesquisa

O U.S. Census Bureau passou a perguntar às empresas americanas se elas usam "Super Inteligência".

A troca de vocabulário entrou em vigor na coleta iniciada em 19 de outubro de 2026 e foi identificada por Simon Willison, que publicou a análise em 2 de novembro de 2026 em seu blog. O gatilho, segundo ele, é a Executive Order 14434, assinada em setembro de 2026, que o autor descreve como a "asnina" ordem da Super Inteligência.

O que mudou no questionário

A pesquisa em questão é a Business Trends and Outlook Survey (BTOS), realizada a cada duas semanas pelo Census Bureau com 200 mil empresas de um universo de 1,2 milhão. O painel é rotativo: cada empresa só responde a cada doze semanas, e os dados saem às quintas-feiras alternadas, às 10h.

A versão mais recente usada por Willison foi publicada em 22 de outubro de 2026.

A pergunta anterior, enviada até 17 de novembro de 2025, perguntava se o negócio havia usado inteligência artificial "na produção de bens ou serviços". Ela foi substituída, com anúncio em 3 de dezembro de 2025, por uma formulação mais ampla: uso de IA "em qualquer das funções do negócio".

A partir de 19 de outubro de 2026, o texto mudou outra vez, agora trocando o próprio nome da tecnologia: "Nas últimas duas semanas, este negócio usou Super Inteligência ou SI (anteriormente chamada de Inteligência Artificial ou IA) em qualquer das suas funções?". Os exemplos também foram reescritos, citando análise de dados com SI, SI generativa para marketing, design de produto ou código, agentes virtuais de SI no atendimento, previsão e precificação com SI e visão computacional para controle de qualidade.

Duas quebras de série, não uma

O gráfico refeito por Willison deixa claro que os números antes e depois das mudanças não são comparáveis. Em setembro de 2025, as empresas com 250 ou mais funcionários respondiam "sim" em cerca de 12% dos casos, na pergunta sobre produção de bens ou serviços.

Com a redação de "qualquer função", o índice das mesmas grandes empresas saltou para cerca de 30% em fevereiro de 2026 e chegou a aproximadamente 40% em outubro de 2026.

Nada disso indica, necessariamente, que a adoção real quadruplicou no período. A mudança de escopo da pergunta — de um uso restrito à produção para qualquer área do negócio, explica boa parte do salto.

É o mesmo tipo de armadilha que motivou a análise original: em setembro de 2025, Willison usou um gráfico da Apollo Global Management, que apontava desaceleração da adoção de IA em grandes empresas com base justamente nos dados do Census Bureau, para demonstrar a capacidade de análise de dados do GPT-5 e, depois, do interpretador de código do Claude.

Para refazer o gráfico com os números de outubro de 2026, o autor recorreu ao GPT-6 Astra Extra High. Os dados de porte de empresa estão no arquivo XLSX de "Employment size class", disponível na página de downloads do BTOS, e o próprio Census Bureau documenta a evolução do instrumento na página "about" da pesquisa.

Por que isso importa

Pesquisas oficiais como a BTOS viraram referência para medir a difusão da IA na economia americana, são citadas por gestores, consultorias e pela imprensa. Quando o vocabulário do formulário muda, séries históricas se rompem e comparações ano a ano passam a exigir ressalvas explícitas.

A substituição de "inteligência artificial" por "Super Inteligência" leva o problema a outro patamar: além de alterar o escopo, o novo texto muda o nome da própria tecnologia que tenta medir, o que pode confundir o respondente e tornar ainda mais difícil saber o que exatamente está sendo contado.

O episódio também ilustra como decisões de política pública chegam ao formulário estatístico. Willison não trata a ordem executiva como curiosidade burocrática, e sim como o motivo pelo qual um levantamento econômico de rotina passou a usar uma expressão que, até pouco tempo, aparecia mais em debates sobre IA avançada do que em questionários oficiais.

Para quem acompanha dados de adoção, a lição prática é direta: antes de comparar gráficos de anos diferentes, verifique a redação exata da pergunta que foi feita.

Fontes e links

Matéria publicada originalmente em Simon Willison

Últimas Notícias

Custo por token não mede entrega: a nova conta da IA no código
Censo dos EUA troca 'IA' por 'Super Inteligência' em pesquisa
TechCrunch reúne fundadores em Boston a dois dias do Founder Summit
Realtime-Bench expõe limite de agentes de IA em tarefas ao vivo