Na quarta-feira (16 de setembro de 2026), a Snap usou um evento em Los Angeles para tentar, mais uma vez, convencer o mercado de que seus óculos inteligentes Specs fazem sentido. O CEO Evan Spiegel e outros executivos da companhia apresentaram novos recursos, serviços e parcerias para o dispositivo de realidade aumentada que custa US$ 2.200.
A aposta é a integração com entretenimento, produtividade e fluxos de trabalho corporativos.
Um lançamento que ainda pesa
A nova ofensiva de comunicação vem três meses depois de uma estreia conturbada. Quando os Specs foram revelados em junho, a recepção foi fraca e virou piada nas redes sociais, incluindo pedidos pela saída de Spiegel.
O design, que lembra equipamento de mergulho, e o preço alto dominaram as críticas. As ações da empresa despencaram nos dias seguintes.
Desde então, a Snap busca uma oportunidade para explicar por que um hardware pesado e caro, provavelmente fora do alcance do consumidor casual, deveria existir.
Specs intelligence e a promessa de antecipação
O anúncio de maior destaque foi o Specs Intelligence, descrito pela empresa como um novo sistema de inteligência artificial antecipatória. Ele foi projetado para funcionar com os óculos, e também com dispositivos do usuário, incluindo iPhones e Macs.
Segundo a Snap, o sistema constrói uma compreensão de metas, prioridades, relacionamentos e rotinas a partir dos aplicativos e ferramentas que a pessoa escolhe conectar. A ideia é ajudar a concentrar esforços no que importa agora e a avançar em objetivos de longo prazo.
Spiegel chamou o conjunto de sistema operacional nativo de IA, com inteligência desenhada em torno dos projetos do usuário. Ele diz que o sistema conecta pontos entre as Lenses, nome que a Snap dá aos seus efeitos de câmera em realidade aumentada disponíveis tanto em celulares quanto nos Specs.
Na prática, porém, o recurso se parece mais com um aplicativo de produtividade com IA que pode ser usado com os óculos, mas não depende deles para funcionar.
Entretenimento e dúvidas de uso real
Entre as novidades de consumo, os Specs agora se conectam ao HBO Max e ao Spotify. A proposta é oferecer uma camada básica de diversão interativa que os óculos inteligentes vinham justamente deixando a desejar.
Também foi anunciado um aplicativo desenvolvido em parceria com a NBA e a WNBA. Ele permite treinar basquete e melhorar a pontaria usando os recursos de realidade aumentada do dispositivo.
A utilidade prática do recurso, no entanto, levanta dúvidas, já que jogar basquete com um equipamento pesado no rosto não parece uma proposta trivial.
Foco corporativo
A Snap também lançou o programa Specs for Enterprise, voltado à integração do dispositivo em fluxos de trabalho corporativos. Foram anunciadas parcerias com empresas de tecnologia como Amazon, Salesforce e NVIDIA, entre outras, com o objetivo de tornar o produto útil para funcionários dessas companhias.
Os cenários concretos de uso ainda são vagos. Um vídeo de demonstração exibido no evento mostrava um técnico de TI consertando um equipamento com o auxílio dos óculos.
Spiegel afirmou que a empresa está construindo gerenciamento de dispositivos móveis, controles de segurança e formas de implantar e administrar pilhas de software entre equipes com os provedores mais confiáveis do mercado. Isso daria tranquilidade aos departamentos de TI.
Conectividade vendida à parte
Para quem quiser usar os Specs fora de casa ou do escritório, longe do Wi-Fi, a Snap anunciou um pacote de conectividade vendido separadamente. Ele inclui um estojo de carregamento com conectividade celular embutida.
O serviço, viabilizado por uma parceria com a Verizon, custa US$ 10 por mês para clientes da operadora e US$ 20 por mês para quem não é cliente.
A aposta de spiegel
No discurso final, Spiegel enquadrou os Specs como uma nova forma de interagir com a computação em um formato mais centrado nas pessoas. Ele disse que é um momento curioso para lançar um computador, porque o setor de tecnologia está bastante estranho, com narrativas de que a IA vai eliminar empregos e de que mundos virtuais substituirão o real.
O executivo rejeitou essa visão. Argumentou que tornar as pessoas irrelevantes não é progresso e que os computadores deveriam nos tornar mais importantes, e não menos.
A Snap tem justificado repetidamente o preço que causa estranheza classificando o produto como um computador, ainda que usado no rosto. Se os consumidores vão comprar essa ideia é algo que ainda está em aberto.
A empresa informou que fará um espaço pop-up dos Specs em Los Angeles em outubro, antes do início das entregas do dispositivo no fim do outono do Hemisfério Norte, ou seja, no final de 2026.
Fontes e links
- TechCrunch
- Snap finalmente apresenta os óculos AR Specs, e eles não são baratos
- Depois de revelar óculos AR caríssimos, ações da Snap despencam







