Google compra projeto de data center em Wyoming da Crusoe

Google compra projeto de data center em Wyoming da Crusoe

Em 6 de novembro de 2026, a Crusoe confirmou a venda de um projeto de data center ainda inacabado no sudeste do Wyoming para o Google. O negócio transfere ao gigante de Mountain View o controle de uma obra que a desenvolvedora de Denver tentava viabilizar havia mais de um ano.

Segundo relatos, o projeto enfrentava questionamentos da própria empresa que a Crusoe tentou, sem sucesso, atrair como cliente; a companhia tem oito anos e foi avaliada em US$ 30,9 bilhões.

Um campus planejado para 10 gigawatts

O empreendimento foi anunciado no ano anterior em parceria com a Tallgrass. A companhia de infraestrutura é apoiada pela Blackstone.

A ambição era escalar o campus até 10 gigawatts de capacidade de energia.

O Google assumiu o desenvolvimento depois de manifestar preocupações com o custo da obra e com o cronograma de construção sob a gestão da Crusoe.

A empresa detalhou a transição em comunicado próprio sobre o campus do Wyoming.

O que o Google pretende fazer no local

O valor pago pela estrutura inacabada não foi divulgado. O Google anunciou planos de investir US$ 17 bilhões para desenvolver o campus de data centers no Wyoming.

A cifra indica que o projeto segue de pé, com outro dono, outro orçamento e outro cronograma.

A quantia dá a dimensão do que está em jogo: a infraestrutura física necessária para treinar e executar modelos de inteligência artificial em escala.

O anúncio oficial está no blog da companhia.

Como a crusoe ganha dinheiro

A Crusoe opera em três frentes. Aluga espaço de data center para clientes que trazem as próprias GPUs.

Também aluga suas próprias GPUs e vende capacidade de computação para rodar modelos de IA, atividade conhecida como inferência.

Seus maiores projetos atendem algumas das empresas mais relevantes do setor. O campus de Abilene, no Texas, está sendo construído em fases para Oracle e OpenAI.

A companhia ergue ao lado um campus separado de 900 megawatts para a Microsoft, com o primeiro prédio previsto para entrar em operação em meados de 2027.

A Meta também é cliente. A Bloomberg noticiou que a trading Jane Street assinou um contrato de nuvem de US$ 13 bilhões ao longo de cinco anos com a Crusoe.

A empresa foi fundada por Chase Lochmiller, hoje CEO, e Cully Cavness. O negócio começou como mineração de criptomoedas movida a gás natural que seria queimado na atmosfera.

Em setembro, junto com uma rodada de US$ 3,9 bilhões, a Crusoe incorporou três novos conselheiros. Entre eles está JB Straubel, fundador da Redwood Materials e membro do conselho da Tesla, que investiu na empresa em 2021.

A Crusoe depois se tornou a primeira cliente do negócio de armazenamento de energia de Straubel.

Por que a venda importa para o mercado de IA

O episódio mostra como pode ser difícil para desenvolvedoras independentes de data centers entregar projetos de grande porte dentro do prazo e do orçamento. Os gargalos vão da obtenção de equipamentos à garantia de energia suficiente.

A oposição crescente de comunidades locais pode complicar o licenciamento e a construção.

O recuo no Wyoming não interrompeu a trajetória financeira da Crusoe. A companhia levantou a rodada de US$ 3,9 bilhões em setembro e planeja construir data centers de grande porte e pequenas fábricas modulares de IA.

A transação com o Google foi noticiada pela primeira vez pela Bloomberg em junho, quando o acordo ainda não havia sido confirmado pelas partes.

A relação entre as duas empresas também não terminou. O Google não abandonou a Crusoe por completo.

A desenvolvedora está construindo outro data center para o gigante de buscas perto de Amarillo, no Texas, conforme o anúncio do campus no condado de Armstrong.

O negócio deixa duas leituras. A primeira é que o Google prefere assumir a obra a depender de um cronômetro alheio para uma capacidade energética que considera estratégica.

A segunda é que o mercado de infraestrutura de IA começa a separar quem consegue executar projetos faraônicos de quem apenas assina anúncios ambiciosos.

A pressa por capacidade de computação tornou o calendário de construção um ativo tão valioso quanto a própria energia.

Fontes e links

Matéria publicada originalmente em TechCrunch

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