Espanha: startups usam supercomputação do BSC para criar IA

Espanha: startups usam supercomputação do BSC para criar IA

O Barcelona Supercomputing Center (BSC) colocou em operação plena o seu AI Factory Accelerator Programme, iniciativa que dá a startups acesso a capacidade de computação soberana, suporte técnico e treinamento para desenvolver soluções de inteligência artificial em diferentes setores. A informação foi divulgada pela NVIDIA em 20 de outubro de 2026 e marca a transição do programa da fase piloto para a operação regular, com serviços já disponíveis a empresas emergentes.

Segundo o material divulgado, muitas das startups atendidas pelo programa também integram o NVIDIA Inception, rede de apoio a empresas de tecnologia de ponta. A partir de agora, parte dos serviços do BSC AI Factory passa a ser acessível diretamente pelo portal do NVIDIA Inception, o que amplia o alcance da infraestrutura catalã.

A parceria é complementar: o Inception acrescenta treinamentos por meio dos cursos abertos do NVIDIA Deep Learning Institute, mentorias de negócios, conexões com investidores de capital de risco e outros recursos.

Um programa europeu de infraestrutura

O BSC AI Factory está entre as primeiras fábricas de IA da Europa e é a primeira da Espanha. Desde o lançamento, em abril de 2025, a estrutura já prestou mais de 800 serviços a clientes dos setores público e privado.

A base tecnológica é o MareNostrum 5, infraestrutura pública do BSC dedicada à inovação científica e tecnológica e movida por computação acelerada da NVIDIA. Uma extensão prevista do MareNostrum 5 deverá entregar acesso a supercomputação por meio do BSC AI Factory e de outras fábricas de IA espalhadas pela Europa.

Três destaques do demo day

No evento de demonstração que encerrou a fase piloto, três membros do Inception foram nomeados AI Champions do programa. A Qatium, cuja plataforma de gestão de redes de água já é usada por mais de 250 concessionárias em 16 países, entrou em produção inicial com a tecnologia Neural Water Intelligence, baseada em modelos próprios treinados no MareNostrum 5.

A solução usa a biblioteca NVIDIA cuGraph, o framework PhysicsNeMo e os modelos abertos Nemotron para ajudar operadores de saneamento a tomar decisões operacionais diárias.

A OneCareAI, spin-off de pesquisa do próprio BSC, usou microsserviços NVIDIA NIM para criar uma tecnologia capaz de identificar sinais de fibrilação atrial oculta, um ritmo cardíaco irregular, em eletrocardiogramas aparentemente normais. O objetivo é ajudar médicos a reconhecer pacientes com risco de acidente vascular cerebral antes que ele aconteça.

Já a Avatia desenvolveu um sistema multiagente com voz como interface principal, oferecendo às farmacêuticas "colegas agênticos" que apoiam representantes de vendas e entregam a médicos informações transparentes e curadas sobre medicamentos, para que o tratamento certo chegue ao paciente mais cedo. O sistema utiliza microsserviços NIM, a família de modelos abertos Nemotron 3 e a biblioteca de código aberto NeMo Curator.

Da saúde à agricultura

A turma reúne ainda outras sete startups: Agrikola AI, Elna Health, Lokutor, Montevive AI, Oppy, Pack2Earth e Up2Smart. Elas atuam em agricultura de precisão, imagem médica e acesso a conhecimento, serviços de fala, segurança corporativa, inteligência de vendas e embalagens sustentáveis.

O conjunto ilustra a variedade de aplicações que a inteligência avançada pode habilitar, como prevenção de AVC, detecção de subtipos de câncer de mama antes da biópsia, acesso mais rápido a conhecimento médico por profissionais de saúde, substituição de plástico derivado de petróleo por materiais biocompostáveis e proteção de lavouras com robôs em vez de defensivos químicos.

Por que isso importa

A aposta em fábricas de IA regionais responde a uma demanda crescente por autonomia tecnológica: em vez de depender apenas de nuvens estrangeiras, empresas e instituições passam a treinar e executar modelos em infraestrutura local, com apoio técnico e regras próprias. Para startups de países com ecossistemas menores, o acesso a supercomputação costuma ser a barreira mais cara e difícil de transpor.

Ao combinar capacidade computacional pública, formação e conexões de negócios, o modelo do BSC serve de referência para outras iniciativas europeias que buscam transformar pesquisa científica em produtos comerciais sem abrir mão do controle sobre dados e modelos. O detalhamento completo das empresas e das tecnologias envolvidas está disponível na página do BSC AI Factory Accelerator Programme.

Fontes e links

Matéria publicada originalmente em NVIDIA

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