Pritzker vê IA como cura e ameaça nuclear e cobra regulação

Pritzker vê IA como cura e ameaça nuclear e cobra regulação

Em 19 de outubro de 2026, o The Verge publicou uma entrevista com o governador de Illinois, JB Pritzker, no podcast Decoder. A conversa, conduzida por Nilay Patel, ocorreu a poucas semanas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, com Pritzker disputando a reeleição e o voto antecipado já em curso em várias regiões.

O tema central foi a inteligência artificial, mas o governador também tratou de privacidade, data centers, energia, emprego e da permanência do time Bears em Illinois. A entrevista está disponível na página original do Decoder.

Regulação em pedaços

Pritzker descreveu uma máquina estadual organizada para lidar com tecnologia de forma transversal. Ele criou um AI Cabinet para colocar especialistas e chefes de agências na mesma mesa, com atenção simultânea a privacidade, segurança e eficiência. Illinois aprovou o AI Safety Measures Act, que o governador apresenta como o mais rigoroso do país, além do Children's Social Media Safety Act e de regras biométricas. Ainda assim, ele afirmou que a fragmentação é um problema: Nova York, Califórnia e Illinois teriam sido os primeiros a aprovar leis de segurança em IA, enquanto outros 47 estados seguem sem esse arcabouço. Para ele, a inação do Congresso empurra os estados a agir sozinhos, o que não resolve um desafio nacional.

Privacidade sob vigilância

O entrevistador lembrou que o Condado de Cook tem centenas de câmeras Flock e que óculos Meta com câmera levantam novas questões. Pritzker reconheceu que a preocupação com privacidade é legítima e que a pandemia acelerou teorias conspiratórias, sem tratar todo questionamento como desinformação. Ele disse que a rede de câmeras e a análise por IA tornam o rastreamento instantâneo, algo distante de um cenário em que a polícia precisaria recolher manualmente um cartão de memória. A conversa menciona a atualização de 2024 da lei biométrica de Illinois e a necessidade de revisar o tema anualmente. O governador também citou uma lei estadual que veda o uso de IA em terapia, por considerar que a prática coleta informação demais e perde humanidade. Ele admitiu dificuldade de acompanhar o ritmo tecnológico, mas defendeu calibrar uso em vez de bloquear tudo.

Data centers, conta de luz e emprego

Sobre data centers, Pritzker separou a oposição a essas instalações da regulação da IA. Ele afirmou que o debate local mistura medo da tecnologia com um problema concreto: o aumento das contas de energia. Illinois produz mais energia nuclear que qualquer outro estado, com cerca de 53% a 54% de sua eletricidade vindo de usinas nucleares, e é exportador líquido, mas ainda vê custos subirem por causa do funcionamento das organizações regionais de transmissão. O entrevistador lembrou que o estado recuou de incentivos fiscais para data centers em julho. Pritzker também alertou para o emprego: se 4% de desemprego é considerado quase pleno emprego, a automação poderia elevar a base para 7% ou 10%, concentrando ganhos em poucos. Ao mesmo tempo, viu promessa médica: disse que os filhos, de 21 e 24 anos, podem viver até 100 ou 110 anos, e citou o tratamento de anemia falciforme como avanço possível.

O risco existencial

Na parte final, Pritzker comparou a IA a armas nucleares. Para ele, o mundo convive há décadas com a ameaça nuclear sem que o pior tenha acontecido, o que oferece uma dose de otimismo. A diferença, segundo a conversa, é que a IA não nasceu dentro de um único governo: há laboratórios privados, países concorrentes e uma corrida por capacidade computacional. Pritzker disse não ter uma resposta definitiva sobre consciência artificial e evitou cravar se a indústria está criando uma nova forma de mente. Defendeu que governos, especialistas em ética e tecnólogos participem da contenção, porque o mercado sozinho não resolveria interesses coletivos. O entrevistador pontuou que as empresas de IA competem entre si e que algumas tratam a tecnologia como possível agente consciente; o governador respondeu que o problema é novo, proliferado e sem controle central, mas que a humanidade já criou a tecnologia e, portanto, também pode tentar limitá-la.

A entrevista termina sem uma solução única, mas com uma posição clara: Pritzker prefere regras públicas, revisão constante e coordenação federativa a um ambiente de autorregulação. Ele também deixou claro que Illinois quer manter o Bears no estado, em Chicago ou Arlington Heights.

Para o debate sobre IA, o recado é que a tecnologia pode ser simultaneamente promessa médica e ameaça política, e que o governo deve agir antes que o custo social se torne irreversível.

Fontes e links

The Verge

Matéria publicada originalmente em The Verge

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