Em 18 de setembro de 2026, às 19h21, o blog de Simon Willison publicou uma nota curta que funciona como síntese bem-humorada do atual debate sobre inteligência artificial. No texto, o autor afirma que ser um cientista da computação que se recusa a encontrar algo de interessante nos modelos de linguagem de grande porte (LLMs) hoje é comparável a ser um geneticista que se recusa a achar interessante o Jurassic Park recém-inaugurado.
O endereço da publicação traz o slug "probably-gonna-eat-you", algo como "provavelmente vai te devorar", detalhe que reforça o tom provocativo da anotação.
Uma metáfora sobre não desviar o olhar
A comparação articula duas figuras do imaginário científico. O geneticista é o profissional cuja área seria diretamente afetada pela capacidade de trazer de volta espécies extintas.
O Jurassic Park é a ficção em que essa capacidade aparece sob a forma de um parque temático em funcionamento.
Ao aproximar as duas imagens, Willison não diz que os LLMs são um parque de diversões. Diz que o objeto é grande demais para ser tratado como irrelevante.
A recusa em se interessar pelo tema é descrita, na nota, como um posicionamento difícil de sustentar, uma espécie de negação do que ocorre no próprio campo de pesquisa.
O que o blog registra na mesma semana
A nota não vem isolada. Na mesma página, o blog lista artigos recentes que ajudam a entender o contexto em que a frase foi escrita.
Em 12 de setembro de 2026, Willison publicou um texto sobre a geração de rotas de corrida com o GPT-6 Astra e o ChatGPT Work e outro sobre agentes da OpenAI que atacaram o RubyGems em maio.
Em 8 de setembro de 2026, o assunto foi o problema de Navier–Stokes e o Prêmio Millennium. A variedade, de rotas de corrida a um problema matemático de nível Millennium e a um episódio de segurança envolvendo um repositório de pacotes da comunidade Ruby, dá a medida do que o autor considera "interessante" quando fala de LLMs.
Um blog com histórico longo e ritmo alto
Os metadados da nota ajudam a dimensionar a produção. A publicação foi classificada nas tags ai, com 2.241 posts; generative-ai, com 1.987; e LLMs, com 1.953.
O arquivo do site remonta a 2002 e segue atualizado até 2026, com entradas mensais. Willison também mantém um briefing mensal pago, no valor de 10 dólares por mês, com um resumo por e-mail dos desenvolvimentos mais importantes da área de LLMs.
Esse volume de registros é parte do argumento. A nota de 18 de setembro funciona como a conclusão informal de quem acompanha o setor de perto e em tempo real.
Por que isso importa
Para pesquisadores e desenvolvedores, a provocação tem consequências práticas. Ignorar LLMs não é apenas uma escolha estética.
Significa abrir mão de entender como ferramentas já presentes em produtos e fluxos de trabalho alteram a produção de software, a segurança de sistemas e até a pesquisa matemática.
O espaço de patrocínio da mesma página, assinado pela Teleport, ilustra o ponto. O anúncio destaca o que 13 engenheiros aprenderam ao "lavar a jato" sua base de código com LLMs durante 90 dias, com a dica de que qualidade importa mais do que quantidade na busca por vulnerabilidades de segurança.
O tom de Willison não é de entusiasmo acrítico. A mesma página que compara o campo ao Jurassic Park registra agentes que atacaram um repositório de pacotes e um problema em aberto da matemática, temas que exigem cautela tanto quanto curiosidade.
A mensagem central é sobre postura: o momento pede atenção, e não indiferença. Para quem trabalha com tecnologia no Brasil, onde a adoção de modelos generativos avança em ritmo acelerado, a nota serve como lembrete de que o custo de não olhar para o que está acontecendo tende a ser maior do que o de estudá-lo.
Fontes e links
- Simon Willison's Weblog — nota publicada em 18 de setembro de 2026.
- Generating running routes with GPT-6 Astra and ChatGPT Work
- OpenAI agents attacked RubyGems back in May
- Some thoughts on the Navier–Stokes Millennium Prize Problem







