A LangChain anunciou em 5 de novembro de 2026 que o LangSmith Bring Your Own Cloud (BYOC) passou a rodar em três grandes nuvens: disponibilidade geral na AWS, e versão beta no Azure e no Google Cloud. Na prática, traces, avaliações, datasets, prompts e implantações de agentes continuam dentro da conta de nuvem do cliente, enquanto a LangChain opera a infraestrutura por trás — da orquestração e do escalonamento até as atualizações de plataforma.
O que fica de cada lado da arquitetura
O BYOC divide o LangSmith em duas camadas. O control plane permanece com a LangChain e concentra autenticação, configuração de organizações e workspaces, metadados de cobrança, chaves de API com hash e os ativos estáticos da interface.
Já o data plane fica na conta do cliente e guarda o que é sensível: traces, prompts, datasets, experimentos, implantações de agentes e segredos de workspace. Segundo a empresa, uma mesma organização pode manter vários data planes, cada um em uma conta e região específicas, o que permite separar ambientes, unidades de negócio ou jurisdições.
Um time de plataforma pode rodar produção e staging em contas AWS distintas, enquanto uma unidade que padronizou o Azure mantém seu próprio deployment BYOC, e cada equipe vê seus traces caírem na conta que controla.
Por que a LangChain construiu o modelo
Até então, equipes com fronteiras rígidas de compliance recorriam ao LangSmith auto-hospedado. O modelo mantinha os dados dentro do perímetro, mas exigia engenheiros de plataforma dedicados para aplicar patches em serviços com estado, configurar bancos de dados e executar migrações de schema.
Com o BYOC, a LangChain provisiona e opera o LangSmith dentro da rede virtual do cliente: atualizar componentes de execução deixa de exigir janelas de manutenção e rollouts customizados de Helm em cada ambiente, enquanto o data plane segue no VPC do cliente e a fornecedora cuida de escalonamento, mudanças de schema e dependências de runtime. A empresa afirma que o auto-hospedado continua disponível para quem quer controle completo.
Na AWS, onde o BYOC está em GA desde agosto, a LangChain relata três ganhos apontados por clientes: atualizações contínuas sem janelas de manutenção, chegada mais rápida dos recursos lançados no LangSmith Cloud e escalonamento automático conforme a carga cresce.
O que roda no data plane
A experiência central é a mesma nas três nuvens. Traces, trajetórias, avaliações e insights rodam no data plane, assim como o LLM Gateway, que aceita chaves de provedores trazidas pelo próprio cliente.
As implantações do LangSmith rodam no cluster do cliente, o Engine processa os dados sobre os modelos do próprio time, e os sandboxes garantem isolamento dentro da nuvem privada. Nas três plataformas, os data planes também executam endpoints de Managed Deep Agents.
As diferenças aparecem nos blocos de infraestrutura de cada provedor. No Azure, o data plane roda em uma rede virtual dedicada, com endpoint privado da API do AKS; a LangChain implanta Istio e KEDA via Helm para roteamento de ingress e escalonamento orientado a eventos, e a telemetria de sistema vai para o Azure Monitor.
No Google Cloud, os data planes podem ser criados em qualquer região no lançamento e são gerenciados a partir do control plane americano da LangSmith, com recursos usando nomes no escopo do namespace para não colidir com a infraestrutura existente. Na AWS, o BYOC roda dentro do VPC já existente, com o banco em subnets escolhidas pelo cliente, e times de segurança podem anexar security groups próprios a cada função da aplicação, encaixando o data plane nas políticas de inspeção de entrada e saída já em uso.
Migração sem começar do zero
Quem já opera o LangSmith auto-hospedado pode levar os dados existentes para o BYOC. A migração acontece em duas etapas: primeiro vem o provisionamento do data plane BYOC; em seguida, os recursos de workspace são movidos.
O anúncio não detalha prazos nem ferramentas específicas dessa transição, mas deixa claro que as duas opções seguem disponíveis e que a escolha depende da necessidade de controle de cada organização.
Por que isso importa
O movimento ataca a objeção mais frequente de setores regulados, que precisam demonstrar onde a telemetria de aplicações de IA vive sem assumir o custo operacional de manter a plataforma. Ao mesmo tempo, a LangChain amplia o alcance comercial para clientes que padronizaram Azure ou Google Cloud e não queriam trocar de provedor apenas para usar o LangSmith.
Para times que constroem agentes, o efeito prático é a possibilidade de separar por conta e região os dados de observabilidade e de avaliação, mantendo o mesmo conjunto de recursos de traces, testes e implantações independentemente da nuvem escolhida.







