A Wabi, startup de inteligência artificial fundada por Eugenia Kuyda, anunciou na quinta-feira, 29 de outubro de 2026, uma nova rodada de financiamento de US$ 55 milhões. O aporte eleva a avaliação da companhia a US$ 1,25 bilhão e sela a aposta de investidores no reposicionamento da empresa, que deixou de se apresentar apenas como uma ferramenta para criar aplicativos e passou a se descrever como um "agente pessoal".
De fábrica de apps a mensageiro com agente
Kuyda é conhecida por ter fundado antes a Replika, startup de companheiros virtuais. A Wabi nasceu com uma proposta diferente: permitir que qualquer pessoa montasse aplicativos a partir de instruções em linguagem natural, sem escrever código.
Em novembro de 2025, a empresa havia levantado US$ 20 milhões em uma rodada pré-seed justamente para perseguir essa ideia. O plano mudou em setembro de 2026, quando a companhia comunicou uma guinada de posicionamento e passou a se apresentar como um mensageiro de IA — a versão que a empresa chamou de Wabi 2.0.
A lógica nova é que o agente construa, sob demanda, as interfaces necessárias para resolver tarefas do dia a dia dentro da própria conversa. Em vez de procurar um aplicativo específico para cada necessidade, o usuário descreve o que quer e recebe uma mini aplicação feita na hora.
O que o agente faz na prática
Segundo a empresa, o Wabi pode montar mini apps para planejamento de refeições, acompanhamento de restaurantes próximos, organização de encontros a dois, criação de planos de condicionamento físico e até jogos de perguntas personalizados. A lista de exemplos indica o público que a companhia quer atingir: usuários comuns organizando a rotina, não desenvolvedores construindo produtos.
Essa diferença é importante para entender a estratégia. Na primeira fase, a Wabi flertava com o universo de criação de software, território em que concorre com plataformas de desenvolvimento assistido por IA.
Agora, tenta ocupar o espaço de assistente pessoal que resolve pequenas tarefas e, no caminho, gera as telas de que o usuário precisa.
Quem está colocando dinheiro
A rodada foi liderada pela IVP. Alex Lim, sócio-geral da gestora, afirmou que Kuyda tem percepção própria sobre os rumos da inteligência artificial e um histórico de bom gosto na construção de produtos, acrescentando que a visão dela sobre a interação entre pessoas e IA vai muito além da caixa de texto ou da linha de comando.
Também participaram do aporte a Andreessen Horowitz (a16z), a Forerunner e o Amazon Alexa Fund. Entre os investidores-anjo estão nomes de peso do setor de tecnologia: Tobi Lütke, CEO da Shopify; Marc Benioff, CEO da Salesforce; Marissa Mayer, ex-presidente do Yahoo!; Dick Costolo, ex-CEO do Twitter; e Alex Pall, integrante da dupla The Chainsmokers.
Um mercado em ebulição
O novo valuation da Wabi precisa ser lido no contexto de um mercado aquecido para agentes de IA. Em setembro, o Instinct, agente que viralizou, captou US$ 1 bilhão em rodada Série C que o avaliou em US$ 10 bilhões.
Já em 19 de outubro, o Tolan, que cria um companheiro de IA para ajudar pessoas a navegar a vida cotidiana, levantou US$ 30 milhões.
O movimento sugere que os investidores estão distribuindo apostas entre diferentes teses de assistente pessoal, em vez de concentrar recursos em um único vencedor. A Wabi entra nessa disputa com um diferencial técnico: a capacidade de gerar interfaces, e não apenas responder em texto.
Por que isso importa
Se a proposta funcionar em escala, o modelo de mini apps sob demanda pode reduzir a dependência de lojas de aplicativos e de produtos empacotados para tarefas simples. O valor migraria do aplicativo para o agente que o constrói, e a interface deixaria de ser um produto para se tornar uma resposta temporária a uma necessidade momentânea.
Há desafios evidentes. A empresa não informou, no anúncio, números de receita, base de usuários ou métricas de retenção, o que impede medir a tração real do novo formato.
Também não detalhou como o Wabi lida com consistência das interfaces geradas, privacidade dos dados trocados nas conversas ou confiabilidade das mini apps criadas sem revisão humana. Para um agente que promete resolver a rotina de alguém, esses pontos tendem a pesar tanto quanto a capacidade de gerar telas bonitas.
O que o anúncio deixa claro é o tamanho da aposta: US$ 1,25 bilhão de avaliação para uma startup que, há cerca de um ano, vendia a ideia de ser uma espécie de YouTube de aplicativos e que agora aposta todas as fichas em ser o mensageiro por onde o usuário organiza a vida.
Fontes e links
- TechCrunch
- Wabi, site oficial
- Anúncio da rodada de US$ 55 milhões (PR Newswire)
- TechCrunch: a guinada da Wabi para mensageiro de IA







